Carlos Fernandes

Quarta epístola de Bragança aos BARÕES do PSD

É verdade que o cavaquismo trouxe-nos uma década de progresso, desenvolvimento e prosperidade económica. É verdade que o cavaquismo transformou este país e a sociedade portuguesa como nunca tinha acontecido. Mas também é verdade que:
nunca houve tantos abusos de poder por parte dos poderosos da política, do dinheiro e da finança;
nunca houve tanto dinheiro mal investido, mal aplicado e tantos desvios de fundos;
é neste período que começa o ataque (nunca visto) ao Interior do país e às regiões mais desfavorecidas (excepto Açores e Madeira);

Terceira epístola de Bragança aos BARÕES do PSD

Quem vos escreve do cimo de Portugal é alguém que tem acompanhado, de perto, a vida política dos últimos 42 anos. Não deve ter sido por acaso que durante muitos anos foi o militante nº25 do distrito do cimo de Portugal e que com a refiliação inventada, nos anos 90, pela dupla Marcelo/Rio foi despromovido para dar lugar, se calhar, a alguns (de vossas senhorias).

Segunda epístola de Bragança aos BARÕES do PSD

Mas como o povo não acredita em vós a maioria (de vossas senhorias) lá consegue (umas jeiras) nas rádios e nas televisões que o povo não ouve nem vê e pelas quais (jeiras)sois principescamente pagos. E como o povo sabe que «a mocha» do povo não dá com a vossa «cornuda» a percentagem de abstenção nas eleições tem vindo a aumentar desde o 25 d’Abril.

Primeira epístola de Bragança aos BARÕES do PSD

Quem vos escreve é alguém que aos 20 anos de idade abraçou um ideal e seguiu Francisco Sá Carneiro na luta pela defesa e pela implantação  desse ideal. Nessa altura muitos  ( de vossas senhorias) andariam  de cueiros e de chupeta. Acredito que a maioria ( de vossas senhorias) não usem os tais cueiros mas pelo que tenho visto custa-vos muito a largar a chupeta.
Doutra forma o comportamento ( de vossas senhorias) seria outro.
Paz, Pão, Povo e Liberdade era este o alicerce do projecto pelo qual lutou e morreu Francisco Sá Carneiro.

Quinta Epistola de Bragança aos Políticos

E o povo, as vezes, chateia-se e do seu infortúnio saem mulheres e homens a dizerem verdades claras como a água e duras como fragas como, por exemplo, António Aleixo.
 
Há muitos burros mandando 
em gente de inteligência
e as vezes fico a pensar
se a burrice não é ciência.
Porque o mundo me empurrou
caí na lama, e então
tomei-lhe a cor, mas não sou
a lama que muitos são.
Eu não tenho vistas largas,
nem grande sabedoria,
mas dão-me as horas amargas
lições de filosofia.
À guerra não ligues meia,

Terceira Epistola de Bragança aos Políticos

Ao contrario do que possam pensar os políticos nada disto é estranho para o povo. Aliás, o povo na sua sabedoria milenar tem conselhos que poderiam ser aprendidos por quem tem aspirações a fazer carreira política.

Primeira Epistola de Bragança aos Políticos

Se vocês vivessem num regime monárquico o povo ia pensar que, afinal, são os «senhores do reino» mas aos viver num regime republicano (imposto ao povo pela força das baionetas em 1910) o vosso comportamento prova que, afinal, na república da bandalheira, do despudor e da pouca vergonha vale tudo. Vale tudo...

E os andores?

Aos Santos populares que o povo vem venerando ao longo dos tempos temos de acrescentar neste ano mais dois: S. Jeronimo e Stª Catarina.
Este S. Jeronimo não estudou gramatica nem filosofia.
Mas especializou-se em retórica na Cova da Piedade, em Cacilhas e, se calhar, na Lisnave.
Não deve ter sido nenhum professor famoso como Donato. Mas teve, de certeza, bons mestres como Cunhal, Pato, e Abrantes (seu centroleico). E por isso é um dos que leva o pálio da jeringonça.
Contra ventos e marés.

P'ra que conste

Não escrevo para que o Presidente da República leia e, no próximo 10 de Junho, me atribua uma condecoração; Não escrevo para que o Núncio Apostólico leia e, na próxima oportunidade, me consiga um lugar de conselheiro papal ou da Cúria Romana; Não escrevo professias... mas que há vezes que acerto... lá isso tem sido verdade. Mas escrevo sobre factos e realidade que nos rodeiam no dia a dia. Com educação e com respeito. Foi assim que me ensinaram e foi assim que aprendi. Não sou daqueles que pensam que os «comunistas» comiam criancinhas ao «mata-bicho». Não. Não sou desses.

Quarta Epistola de Bragança aos Comunistas

Mas ainda não tinha saído a procissão do adro e já o PCP – o vosso partido – tinha de escolher um santo pra colocar no andor das presidenciais.
Mais uma vez os sumo-sacerdotes e os escribas se reuniram no cenáculo da Soeiro Pereira Gomes e escolheram um Simão de Cirene chamado Edgar Silva. Não para ir no andor! Mas antes para ajudar o vosso profeta Jerónimo a levar a vossa cruz ao calvário das presidenciais.