João César das Neves

A crise aproxima-se

Portugal está à beira de um novo colapso financeiro. Este tipo de evolução é sempre muito difícil de prever com exatidão, excepto em casos extremos. Mas este é um caso extremo.

Misericórdia

O papa Francisco quis pôr todo o mundo a pensar na misericórdia. Dificilmente poderia ter escolhido um tema mais surpreendente e provocador. A misericórdia é uma substância única, sublime, transcendente, que neste mundo se mostra simultaneamente estranha e natural. Pode dizer-se que o papa Francisco quis pôr todo o mundo a pensar em Deus; porque Deus é misericórdia.

Tumulto

Portugal está a entrar num período politicamente turbulento. Qualquer que seja o desfecho das próximas negociações, votações e eleições, haverá muito mais zangas, polémicas, acusações e irritações. A situação política e social vai-se agravar fortemente.

Férias

As férias são dominantes. Toda a gente tem e deve ter férias, como aliás impõe a Constituição: «Todos os trabalhadores, sem distinção de idade, sexo, raça, cidadania, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, têm direito a (…) férias periódicas pagas» (artigo 59º 1. d).

Santos Populares

O mês de Junho é mês de santos populares, preparando o Agosto de muitas romarias e festas ainda mais populares. Deste modo, no tempo do Facebook e SMS, a Igreja insiste em tradições imemoriais, com um sabor a candura e vulgaridade.

A tragédia grega

A questão da Grécia está muito complicada e vai ficar pior. A razão dessa situação é evidente mas também ignorada. O motivo é que ninguém está realmente a discutir a questão da Grécia. Nem os governos gregos –o actual de extrema-esquerda como o predecessor de centro-direita ou o anterior a esse, de centro-esquerda–, nem a União Europeia, nem a esmagadora maioria dos jornais, discursos e conversas, realmente discutem a questão da Grécia- Por isso, não só não se resolve, mas fica sucessivamente pior.

Ecos medievais

O mundo anda muito assustado. Como se não bastassem todas as crises, injustiças e corrupções a que nos tinham habituado, os últimos meses desceram a um nível inferior de perversidade, não apenas no terrorismo mas até na saúde. Dizíamos estar pior que nunca, envolvidos em problemas modernos e sofisticados como globalização, falência de bancos ou negociações diplomáticas. Nunca poderíamos imaginar que no século XXI seríamos obrigados a enfrentar horrores medievais.

O argueiro e a trave

O pontificado do papa Francisco tem sido espantoso. O seu encanto é sentido por todos e vive-se uma nova dinâmica na Igreja. Ao fim de ano e meio perdura ainda o natural estado de graça inicial, com poucas polémicas. Uma das excepções foi a recepção das frases acerca de economia na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium. Aí o Papa afirmou coisas dramáticas: «devemos dizer não a uma economia da exclusão e da desigualdade social. Esta economia mata» (53); « A desigualdade é a raiz dos males sociais» (202).

O efeito Pedro

Na recente entrevista do Papa Francisco ao jornal italiano Il Messaggero, periódico homónimo do nosso, o Pontífice afirma que «os comunistas roubaram-nos a bandeira. A bandeira dos pobres é cristã. A pobreza está no centro do Evangelho» (Il Messaggero, 29 de Julho). Este trecho, levantou polémica, como é habitual. Mas, como também é costume, o Papa limitou-se a dizer, em linguagem clara e contundente, aquilo que é uma verdade indiscutível.