Pe. José Luís Pombal

Libertação do tempo

Há uns anos dei com um documento da responsabilidade do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura intitulado «do tempo livre à libertação do tempo». Nele se recolhiam uma série de reflexões sobre o tempo livre. O caráter lúdico da existência, a festa, o divertimento foram temas abordados. Ora, com o advento do verão chega para muitos o período das férias e das festas. Por estes dias o Mundial de futebol capta também a nossa atenção; e toda esta época surge carregada de um profundo simbolismo, uma mensagem densa a desvendar e a compreender: a libertação do tempo.

Silêncio

Bem-aventurados os que apreciam o silêncio. Já as razões podem ser múltiplas, ainda que uma me pareça inevitável: é deles a vida espiritual. A vida segundo o espírito alimenta-se do silêncio, do silêncio orante. Depois do dia de S. José e no limiar daquela semana que contando os mesmos dias que todas as outras é a Grande Semana, a intensa Semana Santa, o silêncio impõe-se como espaço a habitar e disciplina a exercitar. Não um silêncio qualquer, mas um silêncio cheio, habitado. Nesta reta final da Quaresma é de sugerir habitar o silêncio habitado. Se S.

Trono de Gelo

A Quaresma bate à porta de cada inverno para discernir a sua origem. É por isso um tempo de continuados dias a perscrutar o interior das coisas e da vida. Propicia-se a isso, sobretudo porque se mune de três utensílios: oração, jejum, esmola. O papa Francisco na sua mensagem quaresmal para este ano apresenta-os como os remédios para a invernia de cada história, como os estímulos para o apressar da primavera. Ao lado destas práticas, oferece ainda três verbos: parar, olhar, regressar. Tudo isto para que a origem do inverno não esteja no coração de cada um.

O Paraíso são os outros

Em relação à ciência histórica, é muito conhecida aquela definição que Cícero oferece: a história é mestra da vida. Porém, há um momento em que esta verdade entra em crise: quando nós simplesmente, por indiferença, medo ou calculismo, não a deixamos exercer o seu ensino.

Reforma XII

Este ano 2017, a terminar, trouxe-nos a oportunidade de refletir o tema da reforma na Igreja. Um tema que nos últimos anos tem sido o mote do papa Francisco para o discurso à cúria romana por ocasião do encontro de Natal. Não admira esta opção na política espiritual de Francisco uma vez que a reforma significa um novo nascimento, o natal do coração a partir da adesão ao Evangelho.

Reforma XI

Todos os anos, a Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios promove no mês de novembro uma semana de oração e reflexão dedicada aos Seminários. Disponibiliza para essa semana oportunos subsídios que promovem a pergunta vocacional, que é verdadeiramente essencial na relação com Deus e no encontro da identidade de cada batizado. É precisamente para ajudar ao discernimento e ao amadurecimento da vocação ao sacerdócio que existem os seminários, uma estrutura que, grosso modo como hoje a conhecemos, é herança do Concílio de Trento e, portanto, do período da reforma.

Reforma X

À luz do tema «a missão no coração da fé cristã» assinalámos no passado Domingo, 22 de outubro, o dia mundial das missões. O papa Francisco, na sua mensagem pela ocasião deste dia, recorda que «a missão da Igreja não é a propagação duma ideologia religiosa, nem mesmo a proposta duma ética sublime». Efetivamente, quando ao longo da história se confunde Evangelho com ideologia ou se reduz o cristianismo a uma ética, o apostolado desaparece ou desfigura-se. Terá de ser novamente uma fé sincera a resgatá-lo. O apostolado autêntico não destrói, antes revitaliza culturas e sociedades.

Reforma IX

No Concílio Vaticano II foi oferecida aos padres conciliares uma obra do Beato Frei Bartolomeu dos Mártires: o Estímulo dos Pastores. Nesta obra podemos deparar-nos com aquele cuidado que preside a todo o Concílio de Trento, ou seja, a salvação das almas (cura animarum). Esta preocupação, que há de estar sempre no coração dos pastores, iluminou todas as discussões e decisões conciliares tanto no âmbito do esclarecimento do dogma, reivindicado pelas doutrinas heterodoxas surgidas, quanto no âmbito da reforma disciplinar, exigida pela necessidade de conversão ao essencial.

Reforma VIII

Na mesma ânsia reformadora e no mesmo destino cismático, juntaram-se a Lutero, João Calvino, Ulrico Zwinglio e Henrique VIII. Comungaram entre si igual cisão com o papado e neste traço comum desmarcaram-se de uma reforma a partir de dentro. Definiram, assim, um caminho de reforma paralelo, externo, em protesto. Ao mesmo tempo que se distanciaram de Roma, construíram toda uma doutrina heterodoxa. É aqui que se solta um grito, a última gota para não adiar nem continuar a resistir a uma reforma já tão reclamada no interior da própria Igreja.

Reforma VII

Para a passada sexta-feira a Conferência Episcopal Venezuelana propôs uma jornada de oração e jejum pela liberdade, pela justiça e pela paz. Convocaram-na os bispos numa mensagem urgente que dirigiram a todos os católicos e pessoas de boa vontade.