E os direitos de quem fica?

É uma daquelas coisas que ninguém questiona. Todos têm o direito a ganhar o pão e a fazer pela vida.
Mas, como todas as liberdades, a nossa acaba onde começa a do próximo.
No caso dos três médicos que vão (voluntariamente e devidamente autorizados pela ARS Norte e ULS Nordeste) dar uma mão ao Centro Hospitalar do Algarve (será que deixaram de fazer cirurgias programadas no Nordeste Transmontano para irem fazê-las ao pé da praia?), ninguém questiona o direito de estes profissionais de saúde ganharem a vida mas é preciso que quem gere os recursos do Norte tenha em atenção que há outros distritos em que a deslocalização de recursos seria muito menos notada do que aqui.
Há a garantia de que os utentes da região não são afetados. Uma garantia que pouco se compreende à luz do que foi publicado em Diário da República no dia 11, quando o Governo abriu uma dezena de vagas para especialistas nos hospitais da região, incluindo ortopedia e anestesiologia.
E também se sabe que a ida destes profissionais para o Algarve implica uma interrupção de cirurgias programadas. Será que isso é por acaso? Que implicações é que isso acarreta? Desde logo, uma poupança em meios, sobretudo próteses, pois esta é das especialidades mais onerosas. Será esta uma das razões por detrás desta autorização?

Por outro lado, parece-me que esta questão não teria levantado tanta celeuma se um dos médicos em causa não tivesse sido anunciado já (em primeira mão no Mensageiro) como candidato do PS à Câmara de Macedo de Cavaleiros.
O PSD viu uma oportunidade de, com a devida antecedência, minar uma candidatura a um concelho onde o partido laranja vai enfrentar alguns problemas na escolha do candidato. Desde logo, a reunião de ontem do Conselho Nacional definiu o perfil (já depois do fecho desta edição) do candidato tipo do partido, o que pode ter (ou não) afastado Duarte Moreno, ainda a braços com um processo em tribunal. Se foi mantido o que o PSD decidiu há quatro anos, a recandidatura do atual autarca ficará inviabilizada. Isso obrigará a algumas contas, pois há mais candidatos a candidato, a começar pela esposa e ex-deputada, Maria José Moreno. Mas António Afonso, presidente da Assembleia Municipal, será outro dos nomes a ter em conta, bem como Carlos Barroso, vice-presidente da Câmara.