E tudo o vento leva...

No Jornal de Negócios, no dia 15 de novembro, lia-se a seguinte notícia: “Até final de outubro 60% da eletricidade produzida em Portugal teve origem em fontes de energia renovável.
Entre as renováveis, a energia hídrica foi a fonte mais utilizada na produção de electricidade (33% do total), seguindo-se a eólica (21%), a bioenergia (5%) e a solar (1%). A produção a partir de fontes renováveis atingiu um total de 27.997 GWh.
Já a energia fóssil foi responsável por 40% do total de produção de electricidade, com a produção a partir de carvão e de gás a liderar (32%), seguida da cogeração fóssil (8%).A produção a partir de fontes fósseis atingiu um total de 18.592 GWh.
Os dados foram divulgados (...) pela Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN) a partir de dados da REN.
“A produção eléctrica a partir de fontes de energias renováveis em 2016 registou um crescimento significativo devido às condições favoráveis de eólica e de hídrica”, aponta a associação liderada por António Sá da Costa no seu boletim de outubro.
Durante os primeiros 10 meses, Portugal atingiu um saldo exportador positivo, com as exportações a atingirem os 6.039 gigawatts hora (GWh), enquanto as importações ficaram pelos 1.458 GWh.”
Ou seja, mais de metade da eletricidade consumida em Portugal em outubro teve origem em fontes de energia renováveis. Como a eólica. E até é possível exportar parte desta eletricidade que se produz e não se usa.
Ora, em Portugal são recorrentes as notícias de chumbos a projetos deste género. Por exemplo, como os que foram pedidos para a serra da Lousa, em Moncorvo, ou para o Parque Natural de Montesinho, há uns anos (o facto de o distrito de Bragança ter mais projetos privados reprovados em termos ambientais do que Vila Real ou Guarda será alvo de análise noutra edição). Mas basta saltar (literalmente) a fronteira para o lado de Espanha e as torres parece que foram semeadas. De qualquer ponto de Bragança é possível observar que as torres brancas vão crescendo a olhos vistos. O último parque a ser vendido rendeu 260 milhões. Ora, do lado de cá, o potencial... leva-o o vento. E todos assobiam para o lado
Assim não há défice que resista nem sacrifícios que nunca acabem. Para quando as instituições estarem, de facto, ao serviço das populações?