As estradas têm dois sentidos

Já foi notícia nestas páginas na semana passada o volume de exportações. Segundo os dados divulgados pelo INE, Bragança aparece como líder destacado com mais de 500 milhões de euros exportados, 12 vezes mais que os restantes concelhos, que também deram sinais positivos. Carrazeda de Ansiães, por exemplo, foi o que mais cresceu, “registando, em três anos, um aumento de 278 por cento, na venda de bens ao exterior”, escrevia o Fernando Pires.
 “Vila Flor aparece no segundo lugar neste ranking das exportações com um total de 12 milhões de euros, em 2015, melhorando o seu desempenho em 35 por cento, se comparado com 2013.
Na terceira posição, está o concelho de Mirandela, com 11,8 milhões de euros, registando um aumento de 22 por cento, se comparado com 2013.
No quarto lugar, está Macedo de Cavaleiros que registou um aumento de 185 por cento, passando de 2,9 milhões de euros, em 2013, para 8,3 milhões, três anos depois”, dizia ainda o correspondente do Mensageiro em Mirandela.
Estes números abrem boas perspetivas para o futuro. Sobretudo se os analisarmos à luz dos que não aparecem.
Assim de repente, por exemplo, lembro-me das toneladas de castanhas que todos os anos são negociadas diretamente com os “ajuntadores” nas aldeias, com as transações pagas em dinheiro. Essas escapam aos números do INE e poderiam inflacionar ainda mais o ego da nossa economia.
Sobre a necessidade de regular o setor, já muito se disse e muito mais se irá dizer antes que isso aconteça. Na verdade, são alguns milhões que escapam ao controlo da estatística todos os anos.
Mas não deixa de ser curioso que este aumento coincida  mais ou menos temporalmente com a abertura do túnel do Marão.
Como também não deixa de ser curioso olhar um pouquinho mais atrás e ver os aumentos que se registam desde 2013 nos números do turismo. Ou seja, de visitantes à região. Ou seja, desde que quem mora no litoral descobriu que, pelo IC5 e agora pela autoestrada, as terras que ficavam para lá do Marão não são tão distantes assim.
Manter este ritmo de subida não há de ser fácil nos próximos tempos e há sempre escolhos no caminho prontos a fazer-nos tropeçar. É com esses que devemos ter cuidado na hora de decidir pois ninguém tropeça em montanhas.
Agora que vem aí a campanha eleitoral, há uma discussão que começa a ganhar forma: a ligação a Espanha deveria ser para norte ou para leste?
Olhando ao que atrás se escreveu, para mim a resposta é simples. Façam-se as duas!