Os conterrâneos

São muitos, demais até, os transmontanos que, por circunstâncias várias, tiveram de sair da nossa região. Uns em busca de melhor vida, outros pelas diversas funções que foram chamados a desempenhar.

De entre esses, alguns se destacam, nas mais variadas áreas, ao longo da nossa história, das artes à religião, passando, obviamente, pelas funções governativas ou legislativas.

Isto a propósito de uma intervenção do jornalista Bernardino Barros num programa da TVI. “Sou transmontano”, sublinhou, com orgulho.

Mas nem todos procedem da mesma forma. Se Adriano Moreira, por exemplo, nosso ilustre colaborador, às vezes tem pudor em exaltar as suas origens mas apenas “para que os outros não se sintam envergonhados”, outros há que, mal atravessam o Douro, esquecem-se da terra que os viu nascer.

Um vírus especialmente notado na Assembleia da República. Felizmente que há, também, muitos e bons exemplos. Adão Silva, por exemplo, pela longevidade que leva no cargo de deputado e pela importância de outros que já representou (foi Secretário de Estado da Saúde, por exemplo), é dos que não esquece o Nordeste Transmontano e as necessidades que por aqui abundam.

O mesmo tem acontecido a Jorge Gomes. O atual Secretário de Estado da Administração Interna sempre habituou os seus concidadãos em lutar por causas independentemente das cores de quem as defendia. Se lhe parecem justas, avança sem medos. Agora, enquanto membro do Governo, tem pautado a sua atuação pela mesma bitola. Para Bragança veio um novo serviço. Parece pouco relevante, pois criou apenas três postos de trabalho, mas vale, acima de tudo, pelo sinal que dá. Em tempos de concentração, o Estado optou por desconcentrar o serviço de inspeção da Proteção Civil, e não foi uma daquelas desconcentrações de fachada, para o Porto. Foi mesmo para Bragança. Um sinal de contra-ciclo, depois de tantos encerramentos nesta região (que, por agora, parece escapar à razia na Caixa Geral de Depósitos). Que seja o primeiro de muitos.

Post scriptum: apenas uma nota que me parece justa, não uma qualquer candidatura ao que quer que seja. Estou muito bem servido, obrigado.