A opinião de ...

Repensar a Europa

(Continuação)
Quando da queda do Muro que por cerca de meio século separara a Europa em duas, a alegria de uma Europa democrática foi geral, e as portas abertas para a unidade não deixaram ver dificuldades na mistura de meio século de Meia Europa democrática, com uma meia Europa de sovietismo, não sendo de supor que o governo marxista tenha sido de muitas e aprovadas leituras gratificantes do Manifesto de Ventotene.
Aconteceu que a mudança da circunstância europeia, atenta aos progressos humanistas, científicos, e de meios, integrasse as metades logo com igualdade de objetivos.
Não foi suficientemente analisada a surpresa de os populismos se multiplicarem pondo em causa a contradição entre a organização política, e a realidade administrativa, e ver crescerem as distâncias entre os partidos e as ambições populares, que não viram as forças nacionais orientadas pelos credos dos valores, reguladores alheios às estruturas formais mas sempre dotados de poder efetivo. A vitória efémera do Presidente da França, foi um sinal de que os Partidos tradicionais tinham perdido a oportunidade de se reformularem em vista da mudança da conjuntura, e a crise que se está a enfrentar mostra que apenas acordou a necessidade da mudança, mas não a reformulação dos modelos.
Por seu lado, são talvez mais do que populismos (o povo está zangado) os receios induzidos pelas prospetivas das eleições a leste, porque o que eles não obtiveram, e desejavam, foi a soberania, hoje impensável, que lhes retirara o sovietismo.
O debate europeu, claro, elucidativo, autêntico, é urgente antes que a cadeia das eleições sofra das intervenções abusadoras das técnicas já conhecidas.

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