Entrevista a Carlos Silva (Treinador do GDB)

“Só o nome e o emblema que trazemos ao peito não vão chegar para ganhar jogos no Distrital”

Publicado por António G. Rodrigues em Qui, 2018-07-19 12:01

Engenheiro zootécnico, com 42 anos, Carlos Silva tem uma pós-graduação em higiene e segurança no trabalho e está a fazer um mestrado em gestão pública. É presidente do Conselho de Administração da Proruris, em Vinhais, estando habituado a liderar equipas e recursos humanos. Mas, no desporto, foi jogador 12 anos em alguns dos mais representativos clubes da região, tendo abraçado a carreira de treinador também há 12 anos. Agora, chega a treinador principal do Grupo Desportivo de Bragança. E é no Mensageiro de Bragança que abre o livro todo pela primeira vez...
 
Mensageiro de Bragança: Regressa ao Bragança. Qual é a expectativa?
Carlos Silva:
É um regresso que já era esperado. Fazia parte dos objetivos mas é um regresso com muita responsabilidade. O clube precisa de voltar rapidamente aos Nacionais e é esse o principal desafio. Vamos tentar fazer da melhor maneira.
 
MB.: Plantel é quase todo constituído por jogadores da região. Será suficiente?
CS.:
Tem sido suficiente para subir na região, com jogadores da região. Não é importante se são de cá ou de fora, mas se têm qualidade. E os jogadores que já estão contratados têm todos qualidade suficiente para ajudar a subir, e nem todos são da região. Uns continuaram cá, outros estão na região mas já mostraram qualidade. Felizmente há um regresso de muitos jogadores formados no GDB, que foram campeões noutros clubes.
 
MB.: Há muita gente que acha que o próximo campeonato será de favas contadas. Concorda?
CS.:
Não há jogos ganhos antecipadamente. Só a camisola e o nome não ganham campeonatos. É importante que quer os sócios, os simpatizantes e os jogadores percebam que vamos ter de ser muito humildes, de trabalhar mais do que os outros todos, de correr mais, chegar primeiro à bola, marcar mais golos do que o adversário. A partir do momento que o árbitro apita, todos os clubes querem ganhar, independentemente do nome do clube. Por isso, não embarco nessa conversa e não me parece que seja esse o sentimento da direção e da direção desportiva. Não é esse o sentimento da equipa técnica. Também gostava que os adeptos percebessem que vai ser muito difícil. O Distrital é diferente do CNS, com características próprias, e que precisamos, enquanto clube, de estarmos muito focados e unidos no que é o nosso desafio, não substimando nada nem ninguém, porque todos os jogos vão ser muito importantes. É importante percebermos isso desde a primeira hora. Só o nome e o emblema que trazemos ao peito não vão chegar para ganhar jogos.
 
MB.: Quando começa a pré-temporada?
CS.:
Começamos no dia 3 de setembro.
 
MB.: O que ainda falta para fechar o plantel?
CS.:
Pequenos ajustes, pormenores. Hoje em dia os plantéis nunca estão fechados, nem para entradas nem para saídas. Felizmente, a direção técnica, em conjunto com a equipa técnica, está a fazer um belíssimo trabalho. Podemos dizer que 95 por cento do plantel está fechado, o que dá estabilidade. Estamos sempre abertos a receber algum jogador que possa trazer características diferentes dos que já estão. Vamos deixar chegar a pré-época para definir uma ou outra situação pendente. Não vale a pena falar do que não há.
 
MB.: Quais são os principais adversários?
CS.:
Para nós vão ser todos candidatos ao título. Mais que um objetivo é uma obrigação ser campeão. Para estarmos nos Nacionais, para a saúde do clube e para a própria cidade. Nós assumimos a nossa parte. Também seria importante que os outros se afirmassem. Domingo a domingo vamos encarar qualquer adversário como se fosse uma final, até porque o campeonato será relativamente curto. Não vou apontar ninguém porque ainda não conheço a fundo os plantéis dos outros clubes.
 
MB.: Teme que, para além dos clubes, que a Associação seja também um adversário, uma vez que o GDB está envolvido num processo contra a atual direção?
CS.:
Sou treinador, só falo de futebol…
 
MB.: Isto é futebol…
CS.:
Só do que se passa dentro das quatro linhas. Nem sequer quero pensar nisso. É necessário que todo o grupo esteja focado no que tem de fazer nos treinos e nos jogos. O que tenho a certeza é que podemos ter um grande apoio do público, em casa e fora. Quanto ao resto, não acredito em fantasmas nem em bruxas…