A opinião de ...

Natal – uma efeméride sob ataque

Cinco características essenciais definem o Natal do Cristianismo: 1) nascimento de Jesus Cristo e, com ele, a fundação do Cristianismo; 2) consolidação da família monogâmica (uma só mulher e um só homem); 3) definição da família como núcleo central, socializador e educador das crianças; 4) núcleo mantenedor da população da sociedade/ comunidade e, por isso, procriador, quase obrigatório, de crianças; e, 5) elemento de uma doutrina religiosa que formou uma civilização, a chamada civilização Ocidental, de matriz greco-romana e cristã, que também permitiu a emergência do liberalismo, do capitalismo e da democracia.
Porém, actualmente, o Natal já não tem nem a segunda nem a terceira nem a quarta características porque o Cristianismo foi ultrapassado pela história das ideias, da economia, da ciência e das relações sociais.
Na história das ideias, o cientismo da segunda metade do Século XIX conduziu ao ateísmo que, aliado ao anti-cristianismo do socialismo, acusou os cristãos de aliados da burguesia e do capitalismo. A partir da década de 20 do Século XX, a Escola de Frankfurt, incorporando elementos da psicanálise social, deu legitimidade às análises neomarxistas e encetou um programa de larga escala contra o cristianismo, contra a família, contra a propriedade e contra a fidelidade conjugal como manifestações liberais/ capitalistas, lançando as bases teóricas para a destruição das segunda, terceira e quarta características do Natal e do Cristianismo.
Na economia, as mulheres, durante e após a I Guerra Mundial, descobriram um novo lugar na sociedade, a fábrica, em substituição dos homens, mobilizados para a guerra, onde elas aprenderam que, para terem uma participação no trabalho, não poderiam ter tantos filhos mas onde aprenderam também as ideologias da liberdade e da igualdade.
Na economia ainda, os capitalistas viram na participação das mulheres no trabalho um excelente meio de pagar salários baixos mas não conseguiram antever que essa participação de pessoas educadas e socializadas não poderia ser assegurada no futuro porque as mulheres não gerariam as crianças suficientes, tendo estas de ser substituídas por populações-outras vindas do exterior, algumas das quais assumindo-se como inimigas da civilização cristã e proclamando a islamização forçada da civilização ocidental.
Na ciência, os estudos sobre o funcionamento do corpo da mulher permitiram tanto a programação como a anulação da maternidade incentivando as mulheres a uma vida civil e profissional em paridade com os homens. Tal conduziu a que a população autóctone das sociedades ocidentais se tivesse já reduzido a 65% relativamente a 1970, sem que os estados-nação do Ocidente tivessem encetado apoios efectivos e úteis para a inversão da situação.
Assim, a não geração de crianças em número suficiente e em nome do bem-estar e da liberdade, poderá dar origem ao fim do Natal, ao mal-estar social e à guerra civil. Aliás, já está a dar em muitas comunidades do Ocidente.
O Natal e os valores que ele representa estão assim sob grande ameaça. Há que acordar para ela.
Feliz Natal para todas e todos, sejam autóctones ou não porque os e as imigrantes que respeitem a nossa ordem social e a nossa liberdade religiosa são bem-vindos, desde que queiram trabalhar.

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3710