Igualdade/Desigualdade

Há semanas uma Senhora Presidente da Comissão para a igualdade do género ofendeu-me ao exigir a retirada de um livro pintado a azul e outro a cor-de-rosa. No seu abstruso entender a diferenciação colorida ofendia a «igualdade», logo tinha de ser banido. E foi. A Porto Editora encolheu-se, grande fornecedora de manuais escolares cedeu porque a força do negócio tem muita força. Muita.
Há dias saltou-me a tampa (termo muito caro a Salgueiro Maia) quando soube da estúpida decisão de um pai canadiano de não permitir a menção do sexo do filho no intuito de lhe assegurar espaço se no futuro entender mudar de estatuto. A exigência recebeu deferimento.
Por norma e sentido civilizacional respeito as orientações sexuais dos indivíduos, excepto a pedofilia e a bestialidade envolvendo irracionais. Já não respeito as besteiras fundamentalistas interessadas no confundir as desigualdades nas nossas origens. Um homem nasceu menino, uma mulher nasceu menina. Sim, existe o hermafroditismo, a anomalia está estudada e os especialistas procuram estabelecer a altura propícia à definitiva condição da pessoa, masculina ou feminina.
A ânsia de tudo generalizar leva ao desvario, uma professora francesa de geografia e história produziu um manual escolar onde evita as fórmulas sexistas. A senhora de nome Sophie Le Callence editou um livro em Setembro e destina-se aos alunos DA 3ª classe do ensino primário. A polémica estalou, o ruído de tao estrondoso chegou aos imortais da Academia Francesa, estes guardiães da língua gaulesa difundiram um comunicado dizendo ser opositores a uma linguagem igualitária. Dizem que ante esta “aberração inclusiva, a partir de agora, fica em perigo mortal.” Os quarenta académicos afirmam ser sua missão defender a pureza da língua de Racine para as gerações vindouras. A professora, tal como a portuguesa da Comissão acima referida, invoca em sua defesa uma sugestão da quejanda Comissão, designada por Conselho Superior para a Igualdade, ao publicar em 2015, uma guia prática “para uma comunicação pública sem estereótipos de sexo”, aconselhando o banimento dos géneros e feminizar os substantivos que se referem a ofícios, e incorporar um sufixo feminino a todos os substantivos masculinos.
Por cá tudo indica ter sido o Ministro Eduardo Cabrita (o apelido é elucidativo) o ordenante da exclusão dos livros destinados às crianças, não se tratava de serem manuais educativos, em França também as autoridades cedem à pressão e só os intelectuais serão capazes de impedirem uma gramática de matriz feminil.
Por palavras e actos tenho engrossado a legião dos adeptos de para trabalho igual, salário igual, nunca senti qualquer complexo no desempenho de funções onde as mulheres detinham categorias e ordenados mais elevados, nunca as considerei desprovidas de competência, sempre as entendi como minhas iguais nos sentimentos e emoções, bem desiguais na anatomia e sexo.
O casal de cientistas Hanna e António Damásio acabam de conceder importante entrevista ao Expresso, a propósito dos sentimentos e emoções. As partidárias do nivelamento igualitário deviam ler as considerações do reputado casal