A opinião de ...

A IMPORTÂNCIA DA VISÃO

Quem, ao fim da Avenida Brasília, ainda em Lisboa, mas já a tocar Algés, caminhar sobre o chão empedrado da Fundação Champalimaud, em direção a sul, apenas vê o céu enquadrado por duas colunas enormes apontando o firmamento, delimitando as margens e convidando à viagem pelo caminho que ali começa. É uma viagem em direção ao desconhecido, como está expresso na inscrição frontal. É uma viagem que se quer lenta, entre a terra ilustrada por velhas oliveiras a espreitar por janelas graníticas e plantas que crescem, como se fossem algas, para lá dos óculos náuticos rasgados no edifício prinicipal que em muito se assemelha a um navio.
Caminhando, descobre-se na base dos pilares, perfeitamente casada com o azul celeste, a superfície aquática do Tejo que ali se dilui na imensidão marítima. Por breves instantes dá a impressão que o mar veio visitar-nos espretando junto ao solo, deixando entrever o que tanto pode ser uma pequena ilha rochosa, parte do dorso de um golfinho, ou a parte superior de uma anémona gigante. É um pequeno lago com uma proeminência onde, numa cerimónia passada do Prémio Champalimaud de Visão, os visitantes foram surpreendidos com um jovem e virtuoso violinista, erguendo-se, qual divindade marinha desafiando as camonianas tágides que, pouco tempo depois surgiam, por trás do palco do anfiteatro, encarnadas num grupo de talentosas executantes musicais, marcando o início do evento.
 
O Prémio António Champalimaud de Visão este ano foi especial.
Começou com uma justa homenagem da Câmara Municipal que atribuiu o nome da Fundação à praça onde tem as suas instalações. Fernando Medina escolheu o ano do centenário do nascimento do industrial português para reconhecer a gesto e louvar a atividade científica e de saúde levada a cabo sob a orientação da sua presidente, Leonor Beleza.
Com a presença do Presidente da República foi entregue o prestigiado prémio, internacionalmente conhecido como o Nobel da Visão e que este ano também apresentou duas características singulares: foi galardoada a primeira terapia genética, abrindo a porta para o uso desta metodologia para outras terapias e, apesar de com percursos independentes, os agraciados desenvolveram esta técnica de cura na Europa e na América o que, nos tempos que correm tem um alto significado que, a celebração junto à Torre de Belém, realça e evidencia.
 Finalmente a Presidente do Conselho de Administração anunciou a decisão de erguer, nas imediações das atuais instalações, um Centro de Investigação e Tratamento do Canco do Pâncreas e que é o primeiro a nível mundial. Tal iniciativa tem o apoio da família Botton Carasso, descendentes do fundador da Danone que destinou cinquenta milhões de euros para contribuir para mais esta iniciativa da instituição de Belém.
 
Premiando anualmente a investigação e o tratamento da visão, a nível mundial, a Fundação Champalimaud evidencia e celebra a sua própria visão herdada do fundador e sabiamente desenvolvida pela atual administração liderada por Leonor Beleza e que coadjuvada por João Silveira Botelho e António Horta Osório, guindou a instituição a que preside, a um lugar reconhecido nacional e internacionalmente. É um percurso notável que tenho tido o privilégio de acompanhar desde que, em 2008, os primeiros grupos de investigação iniciaram a sua actividade nas instalações do Instituto Gulbenkian de Ciência.
 
 

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