Ernesto Rodrigues

A Morte de Germano Trancoso

No Verão de 1968, intervalando longas férias com um retiro no Seminário de Vinhais, José Mário Leite e eu ganhámos um concurso literário – ele, com o melhor texto do primeiro ano; eu, com o melhor contarelo do segundo ano (ainda me lembro do péssimo título: “Passeio matutino”), gloríola com que passei ao Seminário Maior. Conhecemo-nos há 49 anos.

Amor de perdição ou amor da perdição?

O Cuidar e Sospirar [1483] [1] é «a composição colectiva mais extensa» do Cancioneiro Geral, de Garcia de Resende (1516). Este «longo processo judiciário em redondilhas» (p. 9-10), qual «fachada arquitectónica ou então como abertura musical e, seguramente, emblema evocativo do requinte da corte de D. João II nos começos do seu reinado» (p. 10), resume-se à disputa, em 3172 versos, sobre saber «qual era maior tormento / e dava mor sentimento» (v. 2416-7), se cuidar, ou suspirar.

Dicionário do estômago

Vem o Outono e dá-nos para apetecer mesa demorada, uns acepipes que combatam tristezas de nação em piloto automático, como se não precisássemos de governo, nem de orçamento. O tempo arrefece, mas ao bacalhau constipado (também eu começo a ficar) prefiro um bacalhau da bruxa de Valpaços, que ignorava existisse: afinal, diz Virgílio Nogueiro Gomes no agora saído do forno Dicionário Prático da Cozinha Portuguesa (Marcador, 2015), também há coelho da bruxa de Valpaços…

Francisco, leitor de Vieira

No dia 4 de Março, às 9 da manhã (hora do Vaticano), recebia o Papa Francisco delegação portuguesa que lhe ofertava os 30 volumes da Obra Completa de outro ilustre Jesuíta, o Padre António Vieira. Às 18 horas romanas, na igreja de Santo António dos Portugueses, onde Vieira pregara, o bispo Carlos de Azevedo apresentava essa colecção de sermões, cartas, profética, vária.

Amadeu Ferreira: um luxo

Padre, médico, professor: no discurso rural português, fazia-se diferença entre alma, corpo e espírito; entre vocação, enquanto chamamento do Alto, e profissão, arbitrada pelos homens. O mestre-escola nem sempre cursara, e bastava-se minimamente habilitado; médico ou físico podia ser um barbeiro sangrador, alguma discreta mezinheira. Já padre era um estado vinculado ao Além, exigindo, afora uma fé poderosa, doze anos penitentes, de indiferença às seduções do mundo e sacrificado estudo. Outros cursos venciam-se pela metade, ou nem isso.

Doces da nossa vida

Em dia de Natal, delicio-me a ler Virgílio Nogueiro Gomes, Doces da Nossa Vida. Segredos e Maravilhas da Doçaria Tradicional Portuguesa (Marcador, 2014). A página cheira bem, cada fotografia é de apetite. Seguindo conselho ‒ «Comam doces, mas não abusem.» (p. 218) ‒, não perco este pastel de nata, com vontade de segundo. Não tenho pão de ló, dormidos e económicos; ganchas e pitos só em Vila Real.

Doces da nossa vida

Em dia de Natal, delicio-me a ler Virgílio Nogueiro Gomes, Doces da Nossa Vida. Segredos e Maravilhas da Doçaria Tradicional Portuguesa (Marcador, 2014). A página cheira bem, cada fotografia é de apetite. Seguindo conselho ‒ «Comam doces, mas não abusem.» (p. 218) ‒, não perco este pastel de nata, com vontade de segundo. Não tenho pão de ló, dormidos e económicos; ganchas e pitos só em Vila Real.

Comidas conversadas

22 de Novembro: almoço de excepção, no Restaurante Nobre - da macedense Justa Nobre -, em Lisboa, para lançamento de António Manuel Monteiro, Comidas Conversadas. Memórias de Herança Transmontana, com que Virgílio Nogueiro Gomes decidiu inaugurar a Colecção Gastronomia & Cultura na Âncora Editora. Sem longos discursos, e sessão de autógrafos no fim, tivemos um sábado de encher peito e alma, bebendo, no meu caso, além de um Consensual, as «conversas gastrófilas» (p.

O grande Vieira

A Obra Completa do Padre António Vieira (Círculo de Leitores, 2013-2014) fechou-se com o lançamento, em 3 de Dezembro, na Reitoria da Universidade de Lisboa, dos últimos volumes, que perfazem a trintena ‒ aventura nunca antes conseguida. O projecto nasceu em duas unidades de investigação desta Universidade ‒ Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias e Centro de Filosofia ‒, tendo-se constituído uma vasta equipa internacional dirigida por José Eduardo Franco e Pedro Calafate.

Justiça para Armando Vara

O Tribunal Colectivo da Comarca de Aveiro condenou Armando Vara (AV), em Setembro, no âmbito do caso Face Oculta, nos seguintes termos: «Os actos praticados, com abuso da sua influência relativamente a elemento que integrava o executivo e a um administrador da EDP-IP, assumem especial gravidade. […] Assim, perante o acima e agora exposto, decide-se fixar a pena única em 5 (cinco) anos de prisão.» (p. 2647-8)