Pe. José Luís Pombal

Ambão II

O altar de Pombares sobre o qual já se escreveu em passados artigos realça, por meio dum rasgo lateral na parte direita, que «foi do lado de Cristo adormecido na cruz que nasceu o sacramento admirável de toda a Igreja» (SC 5). É desse lado que sai uma corrente capaz de fazer compreender a Palavra escutada na assembleia litúrgica e capaz de sustentar os diferentes ministérios assumidos na comunidade cristã. Por isso, de alguma forma se quis marcar o ambão e a sede da presidência de Pombares com os sinais dessa corrente. O material comum a todos estes lugares litúrgicos é o granito.


Altar (2)

A adesão de cada batizado a Cristo é integral e exclusiva. Assim se entende o motivo pelo qual os primeiros cristãos foram perseguidos e a razão pela qual procuravam distinguir-se tanto dos judeus como dos pagãos. É certo que, como nos regista a Carta a Diogneto (séc. II), «os cristãos não se distinguem dos demais homens, nem pela pátria, nem pela língua, nem pelos costumes […] seguem os costumes da terra [onde vivem], quer no modo de vestir, quer nos alimentos que tomam, quer em outros usos; mas a sua maneira de viver é sempre admirável e passa aos olhos de todos por um prodígio».


Espaço litúrgico

Há já uns tempos que tenho uma dívida para com a boa gente de Pombares. Saldá-la por aqui não estava nos meus planos. Porém, por que não? A reforma litúrgica teve no Vaticano II um vértice e uma fonte. Vértice de um longo caminho preparatório, iniciado no século XIX na abadia francesa de Solesmes e assumido nos inícios do século XX nos movimentos juvenis alemães; Fonte de um programa de necessárias adaptações, inclusive no espaço litúrgico, uma vez constituídas as reformas da Sacrosantum Concilium.


Libertação do tempo

Há uns anos dei com um documento da responsabilidade do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura intitulado «do tempo livre à libertação do tempo». Nele se recolhiam uma série de reflexões sobre o tempo livre. O caráter lúdico da existência, a festa, o divertimento foram temas abordados. Ora, com o advento do verão chega para muitos o período das férias e das festas. Por estes dias o Mundial de futebol capta também a nossa atenção; e toda esta época surge carregada de um profundo simbolismo, uma mensagem densa a desvendar e a compreender: a libertação do tempo.


Silêncio

Bem-aventurados os que apreciam o silêncio. Já as razões podem ser múltiplas, ainda que uma me pareça inevitável: é deles a vida espiritual. A vida segundo o espírito alimenta-se do silêncio, do silêncio orante. Depois do dia de S. José e no limiar daquela semana que contando os mesmos dias que todas as outras é a Grande Semana, a intensa Semana Santa, o silêncio impõe-se como espaço a habitar e disciplina a exercitar. Não um silêncio qualquer, mas um silêncio cheio, habitado. Nesta reta final da Quaresma é de sugerir habitar o silêncio habitado. Se S.


Trono de Gelo

A Quaresma bate à porta de cada inverno para discernir a sua origem. É por isso um tempo de continuados dias a perscrutar o interior das coisas e da vida. Propicia-se a isso, sobretudo porque se mune de três utensílios: oração, jejum, esmola. O papa Francisco na sua mensagem quaresmal para este ano apresenta-os como os remédios para a invernia de cada história, como os estímulos para o apressar da primavera. Ao lado destas práticas, oferece ainda três verbos: parar, olhar, regressar. Tudo isto para que a origem do inverno não esteja no coração de cada um.