Adriano Moreira

A DIGNIDADE E O PODER

A questão da igual dignidade das Nações, que não evolucionou articuladamente com a igualdade dos cidadãos mais demorada, também se defrontou com a desigualdade hierárquica das potências, que repetidamente a violou. Durante um longo período da história política, com destaque para a ocidental, o tema da hierarquia das potências era o dominante, com reflexos por exemplo na organização internacional da Europa a que a paz de 1918, com o estatuto da Sociedade das Nações, colocou um ponto final: Império Alemão, Império Austro-húngaro, Império Russo, Império Turco.


A PROEMINÊNCIA ATLÂNTICA

Não apenas a intervenção definitiva na II Guerra Mundial, mas a condução firme e recompensada na Guerra Fria, permitiu a Henry Kissinger (Dear Henry), no início deste Milénio (2001), escrever, no seu Does America Need A Foreign Policy?, o seguinte: “Na aurora no novo milénio, os Estados Unidos gozam de uma proeminência que nunca foi igualada, mesmo pelos maiores impérios do passado. Do armamento ao espírito de empresa, da ciência à tecnologia, da educação superior à cultura popular, a América exerce um ascendente sem paralelo sobre o planeta”.


GLOBALISMO E PEQUENAS NAÇÕES

A cadeia de problemas que vai modificando a agenda do globalismo encontrou na questão da relação do Reino Unido com a União Europeia o desafio das chamadas Pequenas Nações. A designação precisa de esclarecimento porque algumas das unidades que a análise e o debate incluem na temática não possuem dimensões populacional, territorial, e económica, inferiores a alguns dos Estados independentes.


A MAIORIA DESERDADA

Quando Josué de Castro obrigou a concentrar as atenções de todos os responsáveis sobre a geografia da fome, sem distinção entre povos separados pelo Muro de Berlim, não foi animado de um espírito de derrotismo, mas com esperança de que a solução do flagelo levasse à mobilização contra a realidade inquietante.


A PRIVATIZAÇÃO DA DESORDEM

Duas calamidades atingem hoje, com êxito financeiro, o que foram pressupostos da Carta da ONU e da Declaração de Direitos, e que são a privatização da guerra e a organização das migrações que afligem os governos do destino e fazem do Mediterrânio um cemitério. É de admitir a hipótese de haver alguma relação entre motores empresariais ilícitos de tais catástrofes, mas a realidade não precisa de hipóteses porque a evidência é gritante.


A guerra

Talvez a guerra mais ameaçadora em curso seja aquela que foi benignamente chamada “construção de um movimento para a justiça climática”, em que se distinguiram duas organizações não governamentais, a Climate Action Network e a Climate Justiçe Now, cuja arma principal foi pressionar os governos, baseados na conclusão de que “as crises económica, financeira, e climática, estão intimamente ligadas”. Estávamos a viver as inquietações que animaram a Conferência de Copenhague, que decorreu de 7 a 18 de Dezembro de 2009, no quadro da Convenção da ONU sobre as alterações climáticas.


OS REFUGIADOS E OS DIREITOS DO HOMEM

Entre os problemas suscitados pela onda de refugiados que procuram a salvaguarda da vida e do futuro na Europa, levanta-se a questão dos obstáculos existentes quanto à universalização dos Direitos Humanos, tal como consagrados pela ONU. Talvez nem sempre apareça na meditação o facto de que a Declaração da ONU, e os precedentes americanos e franceses, são de origem ocidental, e que aqui está seguramente uma das dificuldades.


A EVOLUÇÃO DA CPLP

Quando, em 1964 e 1966, se realizaram os primeiro e segundo Congressos das Comunidades de Cultura Portuguesa, por iniciativa da Sociedade de Geografia de Lisboa, à qual então presidia, sabíamos que a estrutura do Império Euromundista da frente atlântica europeia, esperava já pela certidão de óbito na ONU. Nesta data, sobreviventes a essas iniciativas, existe a Academia Internacional da Cultura Portuguesa em atividade, e a União das Comunidades de Cultura Portuguesa suspensa pelo facto de, em moldes diferentes, o tema ter passado para a orbita governamental.


A nova Ordem

Falar na nova ordem desperta simultaneamente a atenção pessimista para o pousio a que progressivamente parece condenada a ONU, e por outro lado, a esperança de que estadistas ainda ignorados ou mal conhecidos, tenham o talento, até agora perdido, de mobilizar as sociedades civis sacrificadas para uma nova esperança de desenvolvimento sustentado.