A opinião de ...

Em nome d’Ela

O Culto Mariano perde-se na noite dos tempos e enraíza-se no mais profundo crer da Fé Católica. Tanto assim que a proteção da Mãe de Jesus é procurada pelos cristãos, desde o primeiro momento da celebração da Boa Nova, anunciada há dois milénios. De tal forma que, ao contrário de todas as outras entidades veneradas, Maria, sendo mais conhecida por Nossa Senhora que pelo Seu nome próprio, tem como apelido uma plêiade infindável de outros apelidos que a adjetivam, capacitam ou enriquecem de virtudes, sentimentos e capacidades que a adequam ao refúgio procurado em tempos de aflição, mas igualmente simbolizam a alegria e exaltação dos melhores momentos da vida. Inventariar toda esta nomenclatura seria, julgo, tarefa impossível, não só pela imensidão das conhecidas, como pela suspeita da existência de muitas mais, quase desconhecidas ou de pequena divulgação, mas ainda pela possibilidade de, a qualquer momento, uma nova surgir, seja para homenagear um local, para assinalar uma circunstância, para agradecer uma graça ou para fazer um pedido concreto.
Para celebrar o Ano Mariano, o padre Joaquim da Assunção Leite (meu tio) elegeu cinquenta e duas para, semanalmente, nas páginas do Mensageiro de Bragança, as ilustrar com um adequado texto explicativo. Procurou, sempre que possível, um exemplo (ou mais, quando existente) no distrito ou nas proximidades. Não se coibiu, contudo, de viajar por esse mundo fora, sempre que necessário e oportuno como caso da Nossa Senhora de Lurdes, em terras gaulesas ou mesmo a Nossa Senhora Aparecida no outro lado do Atlântico. Foi, aliás, ao Brasil que Joaquim Leite foi buscar o título que escolheu para o livro onde recolheu todos os textos e que, recentemente, a Fundação Mensageiro de Bragança, editou. “TODAS AS NOSSAS SENHORAS SÃO A MESMA MÃE DE DEUS” fecham uma conhecida canção da dupla Roberto Carlos/Erasmo Carlos e servem de mote para reunir as referidas cinquenta e duas crónicas a que foi acrescentada a “Avé Maria Litânica” bem como sete relatos da peregrinação diocesana a Lurdes com passagem por Madrid, Barcelona, Monserrat e Andorra.
Sendo todas a mesma Mãe, não deixam contudo de ter características, atribuídas e adquiridas que as individualizam e as “diferenciam”, não só pela especificidade das graças como, com muito maior frequência, pelo local onde têm santuário para ali serem homenageada e, claro, em seu nome se organizar festa anual que, longe disso, não se resume às cerimónias religiosas. Permito-me referenciar quatro ermidas vizinhas que emergem da minha infância e igualmente, da tradição familiar.
A Senhora da Rosa com o nome mais singular, pela beleza e simplicidade, ocupa um pequeno promontório ao fundo da aldeia de Sampaio e é, de todas, a que se situa no patamar mais baixo das Suas “irmãs”. É a que ocupa um lugar mais terreno e acessível mas não é, só por isso, a mais familiar, mas sim porque, logo por baixo da Sua capela, há uma canameira que pertence à nossa família, há várias gerações e que foi herdada pela minha mãe.
Igualmente no meio do Vale, mas numa pequena elevação, “mora” a Senhora dos Anúncios. A sua localização permite o contacto visual, a partir de Lodões, de onde os meus antepassados, diretamente a olhavam e pediam proteção.
A Senhora do Castelo protege toda a Vilariça espalhando as suas bênçãos e o perfume das açucenas que lhe enfeitam a moradia.
Majestosa, no alto do Cabeço sobranceiro a Vilas Boas, a Senhora da Assunção, madrinha do autor do livro, por decisão e devoção da minha avó, protege e vela pela imensidão das almas que a Ela recorrem e que a 15 de Agosto a visitam, para venerarem e se divertirem a valer, cumpridas as obrigações religiosas. Foi este o local escolhido para a primeira apresentação da obra que será igualmente dado a conhecer, no próximo dia 1 de dezembro, em Mogadouro, na Casa da Cultura.

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3706