A opinião de ...

Altar (2)

A adesão de cada batizado a Cristo é integral e exclusiva. Assim se entende o motivo pelo qual os primeiros cristãos foram perseguidos e a razão pela qual procuravam distinguir-se tanto dos judeus como dos pagãos. É certo que, como nos regista a Carta a Diogneto (séc. II), «os cristãos não se distinguem dos demais homens, nem pela pátria, nem pela língua, nem pelos costumes […] seguem os costumes da terra [onde vivem], quer no modo de vestir, quer nos alimentos que tomam, quer em outros usos; mas a sua maneira de viver é sempre admirável e passa aos olhos de todos por um prodígio». Efetivamente, pegavam nas pedras comuns com que construíam as casas e adornavam os pavimentos, e edificavam altares que depois de consagrados a Deus, e só a Deus, se tornavam mesas santas (Gregório de Nissa). Eis a fonte do prodígio!
Nos tempos primitivos, os cristãos preferiam o termo mesa ao termo altar, exatamente para evitar a conotação com o mundo judaico ou pagão. A razão? Uma só: sobre os altares cristãos o sacrifício é outro, único e irrepetível. Trata-se do sacrifício de Cristo na cruz, cuja memória é atualização. Diziam por isso não ter altares, porque o altar era e é Cristo. Esta verdade deixa de ser silenciada aquando do tempo dos espaços basilicais, cujos altares de pedra se associam a Cristo. Já S. Paulo o tinha feito ao associar a Cristo àquele rochedo que ferido por Moisés deixa correr uma água viva (1 Cor 10, 4). Por sua vez o livro de Ezequiel (Ez 47) traz um trecho que dá conta de uma corrente que sai do lado direito do altar. Essa corrente rega, vivifica e salva. Uma torrente salubre que, onde chega, sara. É o que simbolizam as cores vermelha e azul do altar ferido de Pombares. Apontam para o lado rasgado de Cristo, porque é d’Ele que brota a torrente capaz de vivificar a nossa terra transmontana. Um caudal de vida divina que a cor de ouro regista. É do lado de Cristo nasce o sacramento da Igreja.
S. João Crisóstomo nas suas catequeses batismais descreve o altar desta forma: «a mesa do Senhor está colocada como nascente no meio da Igreja, para que de todos os lados a multidão dos fiéis se aproxime da fonte e mate a sede nas ondas que nos salvam».

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