A opinião de ...

A Grande Farra vai começar

(continuação do artigo da
semana anterior)

- Se, como nas empresas, onde os trabalhadores são sujeitos a horários e ritmos de trabalho estonteantes, avaliados por objectivos e penalizados impiedosamente nos seus parcos vencimentos, mesmo pelo mais insignificante atraso na hora da entrada, também na A.R. os Senhores deputados vão, ou pensa-se que devam e possam vir a ser enquadrados num regime similar que possa fornecer dados para uma avaliação correta da sua produtividade;
- Se, em vez da A.R., não deviam ser os partidos a pagar aos deputados sempre que estes justificam as suas ausências dos trabalhos parlamentares, com pretextos peregrinos como o desempenho de “trabalhos políticos desenvolvidos no exterior” e similares?
Além de muitas outras maleitas, cada qual a mais limitadora, que é necessário e urgente curar de vez, salvo melhor opinião, é inevitável, a muito curto prazo, racionalizar o escandalosamente exagerado número actual de deputados da A.R. deixando, de uma vez por todas, que ela seja uma espécie de bolsa de lugares ou agência privativa de emprego para os partidos encaixarem “os seus” e/ou pagarem “certos” favores, o que, de imediato, traria enormes vantagens, tais como:

- Considerável redução da folha salarial dos deputados e, por arrastamento, dos custos astronómicos com as carradas de assessores, secretárias, motoristas e o sem número de outros elementos, perfeitamente dispensáveis, que gravitam à volta do palácio de S. Bento;
- Porque passaria a haver menos “bodos” para distribuir, as estruturas partidárias teriam necessariamente de ser mais cuidadosas na elaboração das listas, propondo apenas candidatos capazes, competentes e bem preparados técnica e politicamente;
- A nova A. R., com menos custos para o O.G.E. poderia remunerar convenientemente a qualidade, a competência, o trabalho e a dedicação desses novos deputados.
Aqui poderá levantar-se a questão do número de deputados dessa nova assembleia.
A título de curiosidade, ainda que com o risco de alguma imprecisão, comparando a população de Portugal com as populações da Espanha, da França, do Reino Unido e da Alemanha e fazendo a média dos deputados de cada um desses países, chegamos à curiosíssima conclusão de que a nossa Assembleia da República deveria ter apenas, imagine-se, 87 deputados. Repito, seriam apenas e só, oitenta e sete deputados. Seriam suficientes?
Desde que fossem um pouco melhores que os atuais, analisando o que muitos andam por lá a fazer, ou melhor dizendo a não fazer, desde que em número impar para, na pouco provável hipótese de estarem todos, evitar empate nas votações, respeitando democraticamente todas as opiniões contrárias, acredito piamente que seriam mais que suficientes.

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