Bragança

"Neste momento, a preocupação é salvar vidas" defende Hernâni Dias

Publicado por António G. Rodrigues em Qui, 2020-03-26 10:58

Numa altura de crise na região, o presidente da Câmara de Bragança explica as medidas tomadas e as que serão tomadas a seguir.
"Antes de iniciar esta entrevista, permita-me o Mensageiro de Bragança que dirija um apelo firme e sentido a todos os Brigantinos, residentes e comunidades emigrantes, para que fiquem nos vossos lares, diminuam o contacto social e apenas saiam de casa em caso de extrema necessidade, sob pena de que todas as medidas adotadas pela autarquia e decretadas pelo Governo possam sair comprometidas e dificultar o combate a este vírus, que ameaça entrar na casa de cada um de nós e das nossas famílias e roubar o bem mais precioso que temos – A SAÚDE.
Obrigado", fez questão de dizer.  

 
Mensageiro de Bragança: A autarquia ativou o plano de emergência municipal. Nesse âmbito, o que tem permitido fazer?
Hernâni Dias:
Perante a declaração do Estado de Emergência decretado por Sua Excelência o Presidente da República, no âmbito da atual situação epidemiológica, relacionada com a COVID-19 e perante a evolução do número de casos no distrito e no concelho, entendemos, depois de reunião da Comissão Municipal de Proteção Civil, ativar, a partir do dia 19 de março, o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil de Bragança, por um período de 15 dias (até dia 3 de abril), o que nos permite tomar um conjunto de medidas musculadas que de outra forma não seria possível. São medidas, algumas desagradáveis, com impacto na vida dos cidadãos, mas que todas elas visam, em última análise, a sua proteção.
A título de exemplo, posso referir-lhe o encerramento de fronteiras, uma medida tomada, em articulação com o Ministério da Administração Interna e com as forças de segurança por forma a evitar deslocações turísticas ou outras de caráter não oficial;
O encerramento do aeródromo (com exceção da carreira aérea diária Bragança-Portimão e das exceções legalmente definidas) e de todos os equipamentos culturais municipais, assim como a redução do horário dos estabelecimentos de restauração e bebidas, são outros exemplos.
Na área social, para proteção das pessoas e famílias, em colaboração com os vários agentes do concelho providenciámos:
 - Montagem de um hospital de campanha, na Unidade Local de Saúde do Nordeste, para doentes COVID-19.
- Disponibilização de pavilhões municipais para espaços de permanência de doentes de transição (alternativos a tendas).
- Disponibilização de quartos para alojamento de profissionais de saúde que, durante esta fase, deles necessitem, referenciados pela Unidade Local de Saúde do Nordeste.
- A desinfeção e higienização de espaços públicos, IPSS, instituições, abrigos, etc.
Outras medidas foram implementadas e delas fomos dando conhecimento aos cidadãos, visando, nalguns casos, o combate à COVID-19 e, noutros, a prevenção ou mitigação das suas consequências.

MDB.: De que forma é que o estado de emergência afeta o desenrolar das obras promovidas pelo Município? Quais as mais afetadas?
HD.:
As consequências da entrada em vigor do estado de emergência vão fazer-se sentir a vários níveis e em variados setores. Se há setores em que o efeito é imediato, há outros em que esses efeitos ou consequências far-se-ão repercutir num prazo mais vasto.
Atualmente, as obras adjudicadas por parte do Município, às diversas empresas, não têm sofrido qualquer atraso por força da pandemia, estando a calendarização a ser cumprida, o que não significa que tal não possa vir a acontecer se o setor vier a ser forçado a suspender os trabalhos ou possa ter recursos humanos afetados com o vírus.

MDB.: O surto de coronavírus vai obrigar ao adiamento/cancelamento de algum projeto que estivesse em concretização? Qual?
HD.:
O surto em Portugal tem poucos dias, sendo a sua evolução real uma incógnita. Apenas existem projeções, pelo que avançar com o adiamento/cancelamento de algum projeto, neste momento, é extemporâneo, até porque alguns deles estão dependentes de terceiros, como são o caso dos projetos financiados por fundos comunitários, o que não invalida a existência de uma grande preocupação quanto a essa possibilidade.
No entanto, como é sabido e foi já amplamente publicitado, todos os eventos e iniciativas de âmbito municipal, programados, até ao final de junho, estão, para já, cancelados.

MDB.: Qual a principal preocupação para o Município neste momento decorrente da covid-19?
HD.:
Claramente, a maior preocupação do Município, neste momento, é o seu capital humano, os nossos munícipes, as pessoas!
É sabido que o nosso território além de fazer fronteira com Espanha, que do ponto de vista teórico torna os nossos concidadãos mais expostos a estes vírus, tem um índice de envelhecimento acentuado (de acordo com o Pordata, no ano de 2018, o índice de envelhecimento em Bragança era de 215,1 e nas Terras de Trás-os-Montes é de 298,8) o que poderá tornar uma franja significativa da população mais vulnerável e com menos capacidade para fazer frente à pandemia, desencadeando, de forma colateral, um conjunto de outras problemáticas.

 

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