Pe. Manuel Ribeiro

Somos aquilo por que(m) lutamos

Nesta crescente onda de desleixo e de imprudência, no meio de oportunismos políticos e mediáticos, vemos o raiar de uma nova ‘forma social’, de uma assunção colectiva sem memória e sem história.
De alguma maneira, parece que a história se repete. Muitas são as linhas que nos projetam os anos 20 e 30 do século passado. São tal as semelhanças entre o actual período e o período referido que me faz deixar apreensivo e assustado. Sabemos das consequências das opções dos homens daquele tempo e sabemos – talvez bem demais – da dor provocada por essas mesmíssimas opções.


O desejo cristão pela Santa Missa (continuação)

Não somos, na verdade, povo sem terra e vazio de sentido. Sabemos bem que do ponto de vista antropológico o vazio deixado por alguém ou por algo faz com que, inevitavelmente, seja preenchido por outro alguém ou por outro algo. Não queremos que o espaço da Fé e de Deus seja preenchido por outra coisa qualquer. Gilbert Chesterton (escritor e filósofo) dizia que não há problema em não acreditar em Deus: “o problema é que quando se deixa de acreditar em Deus e se começa a acreditar em qualquer outra farsa, seja na história, na ciência ou em si mesmo, que é a coisa mais brega de todas.


O desejo cristão pela Santa Missa

Chegou o momento tão aguardado por tantos de nós: podemos, finalmente, celebrar a Santa Missa em comunidade e no templo santo de Deus. Se há coisa que este tempo novo nos ensinou é que há muitas forças e muitas agendas com um espírito marcadamente anti-clerical. Espanta-me deveras ver a celebração da Fé (seja de qualquer credo que esteja presente no país) comparado com os festivais ou outro tipo de diversão. Mas a Fé é uma diversão, é um espetáculo, uma alegoria?


Será que rezamos a um Deus que não conhecemos?

Permiti que faça esta reflexão convosco, pois há uns dias que a faço a mim mesmo. É certo que vivemos um período conturbado, repleto de incertezas, de dúvidas e de medos, mas não podemos perder o equilíbrio exigido e necessário. Parece que estamos numa vivência de extremos com linguagens, respostas e comunicações de igual extremismo. Passo a explicar: basta ligarmos a TV para sermos inundados com informação que incita ao medo e à desesperança. Temos aqui a visão mais negativa do problema.


Da sobrevivência à esperança

Ao escutarmos o cântico do ‘velho’ Simeão (cf. Lc 2, 29-32), o nosso coração é rapidamente impelido para a partilha empática, para com o sentir feliz e alegre deste santo homem. Da sua boca sai um dos mais belos hinos e tributos à esperança. Para quem não conhece bem esta figura bíblica, Simeão era alguém aquém lhe fora dito que iria ver e tocar o Messias, o Salvador de Israel, o Filho de Deus. O texto sagrado até o descreve como alguém “justo e piedoso” e, ainda, que “o Espírito Santo estava nele” (Lc 2, 25). Interessa aqui o sinal que dá e o exemplo que testemunha: soube sempre esperar.


Chamados ao abraço do Eterno Pai

“Vinde e segui-Me, farei de vós pescadores de homens” (Mt 4, 19). Este o fundamento da condição de discípulo e de missionário: de discípulo em missão e em comunhão. Ao lermos todo este capítulo quarto do Evangelho de São Mateus, damo-nos conta de que Deus não se revela de forma extraordinária, extravagante ou com os modelos mediáticos do mundo hodierno. Antes, revela-se na ocasionalidade do quotidiano e na simplicidade da vida de cada um de nós.


Perda de sentido na cultura dominante: um apelo à vida

Enquadrada na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, a paróquia de Alfândega da Fé propõe à comunidade em geral um debate (em perfil de conferência) sério, livre e coerente sob o tema “Perda de sentido na cultura dominante: um apelo à vida”. Esta Conferência quer contribuir para uma reflexão séria sobre o dom da vida e ajudar a solidificar um caminho conjunto de defesa, de protecção e de promoção da vida humana. A verdade é que vivemos um tempo de incertezas e de ataques constantes à vida e à sua inalienável dignidade.