Pe. Manuel Ribeiro

Um exemplo de generosidade e de confiança

Há dias tivemos a graça de escutar e de reflectir atentamente o trecho do Evangelho de Marcos (Mc 12, 41-44) em que nos apresenta uma viúva que “apenas” entrega no tesouro do Templo «duas moedas, isto é, um quadrante» (Mc 12, 42). Este trecho do Santo Evangelho transmuta-nos para o útero materno, para o lugar onde eu, apesar da minha total nudez e dependência, tudo possuo, tudo tenho, tudo me é dado.


Como é que Te chamas Jesus?

A forma tão óbvia e tão estranha desta enunciação ajuda-nos a perceber que o nomear Deus com o nome de ‘Jesus’ não advém, quase sempre, de um encontro fundante e fundador com Ele. Nomeamo-Lo assim deve-se ao facto de alguém nos ter dito (e ensinado) que Ele assim chamava e não ao facto – salvo raríssimas excepções – de eu próprio me dispor a querer descobri-Lo, a conhecê-Lo, em ir ao encontro d’Ele, deste Deus que permanentemente me chama e que constantemente me pede para que me dirija até Ele, bem junto d’Ele, e n’Ele me enamore e fique inebriado na presença.


Dom da Esperança

Num tempo marcado de incertezas, assente na ditadura do relativismo e de indiferença, são ainda muitos os que optam por seguir a Cristo com determinação, abrindo ao mundo em que vivemos caminhos e janelas de esperança, mostrando que a Igreja deve ser cada vez mais sinal e sacramento de vida e de libertação. Urge que sejamos, todos (!), agentes da Esperança.


Da ‘fé’ [de Tomé] à Fé

«Porque Me viste acreditaste: felizes os que acreditam sem terem visto» (Jo 20, 29). Esta é a resposta que Jesus dá a Tomé – e também a cada um de nós – e que surge pela dificuldade de acreditar, de confiar e de amar do próprio Tomé. Mas o que significa isto? Significa que são felizes aqueles que fazem a experiência pessoal com Jesus. Não uma experiência sensorial, folclórica ou cogniscível. Antes, é um encontro que se faz no mais íntimo de mim mesmo, no fundo mais fundo do meu coração.


Identidade

Para uma sã convivência, todas as relações pressupõem regras e códigos. Regras e códigos que assentam em princípios antropológicos, filosóficos e teológicos sobejamente refletidos, estudados e vividos secularmente. São estas regras e códigos que dirimem o egoísmo e narcisismo naturais do ser humano e potenciam amplamente a revelação do melhor que há em cada um. Porém, não se pode esquecer nesta equação o condicionalismo próprio do tempo-espaço ôntico, ou seja, o homem é um ser num tempo e num espaço próprios, com condições e circunstâncias únicas e irrepetíveis.