Armando Fernandes

 

 

Deus manda-nos ser bons, não nos manda ser parvos.

Na edição deste jornal de 04 de Novembro, o Dr. José Mário Leite (JML) centra-se, atira-se, a Rui Rio, qual gato esfaimado se atira a bofe porcino acabado de ser esquecido no alguidar no decurso da desmancha do reco alimentado com folhas de negrilho, farelos, castanhas e maçãs cruas e algum centeio a forma a carne ficar mais gostosa. Ora, o «desgosto» de (JML) reside no facto do Presidente do PSD não ter viabilizado o Orçamento, inviabilizando a ascensão do austero e firme líder do universo laranja ao restrito panteão de estadistas.


Nuno ÁLVARO VAZ

Ao contrário de uma manta de retalhos desirmanados (Retalhos da Vida de um médico, de Fernando Namora), é uma manta bem urdida a obra referente às vivências do desfiar do tempo em forma de biografia de Nuno Álvaro Vaz, prima pela boa tecelagem do relato em primeira pessoa (do autor) cujo pontos de referência a balizarem o pontilhado de maior importância quais degraus de quem conseguiu o almejado (ser próspero comerciante) desejo de subir a montanha do êxito numa terra pouco atreita a sublinhar as qualidades dos seus filhos, até para de cumprir o anexim santos da terra não fazem milagres, te


O começo das aulas

Nos tempos da outra senhora forreta e pouco interessada em ilustrar o povo português (apesar das excepções, Henrique Veiga de Macedo), as aulas principiavam para a instrução primária tinham início no dia 7 de Outubro, enquanto no secundário a campainha tocava a partir do dia 1 do mesmo mês.


Há lodo no cais

O título desta crónica é a lembrança do extraordinário filme com esse mesmo nome no qual avultava a genial interpretação de Marlon Brando, do realizador Elia Kazan posteriormente delator no célebre processo de «caça às bruxas». Trago a formidável fita à colação porque no Cais do Sodré e imediações magotes de turbas juvenis têm conseguido atolar aquele espaço de modo a os residentes familiarizados com a obra de Dante pensam ser aqueles alvorotos uma alegoria ao Inferno ante a impotência (ou sorna passiva) da PSP a demonstrar a penúria do subsídio de risco.


Nos 99 anos do Professor Adriano Moreira

Apesar de na minha balança do deve e haver dos afectos e da denominada sorte (que dá um insano trabalho) entender que existe desequilíbrio negativo, a vida tem me concedido a benesse de agregar alguns amigos no clássico sentido grego da amizade e privilégio de conhecer Homens merecedores de profundo respeito, admiração e desejo de os imitar nas acções e comportamento. Um desses homens com H grande, graúdo, refulgente e para sempre é o professor Adriano Moreira.


Autárquicas

Eleger os nossos representantes mais chegados, no governo da polis onde vivemos é tão difícil como acertarmos na escolha do melão (de casca a recordar um carvalho) a fim de apimentar (com pimenta de qualidade se servem no início ou no fim da refeição) festins de eclatante convivialidade a exaltar amizades e alegrar corações. A escolha serena, reflectida, estudada ao pormenor ainda fica mais difícil (uma das causas da abstenção galopante) daí não constituir motivo de admiração o facto de inúmeros autarcas se eternizar nos cargos.


Os fundos

Muitos dos fundos vindos da Comunidade Europeia no passado afundaram-se em obras sem sentido funcional, várias motivaram e motivam zombarias acídulas, outras perderam-se na burocracia mudando de tom e som, enfim: os fundos serviram de isco mediático no domínio da propaganda política governamental e autárquica. Os abusos deram conteúdos ao então jornal Independente dirigido por Paulo Portas, que imbuído de uma sanha «justiceira» à Robespierre apanhou muitos abusadores e inúmeros inocentes que nunca o conseguiram levá-lo a sentar-se no banco dos réus. Lembram-se?


O dual Otelo

Noutro texto no qual teço opiniões referentes a Otelo a propósito da sua morte ocorrida há dias aponto Janus ou Jano divindade romana possuidora de duas faces viradas em sinal contrário. Nunca apreciei a duplicidade do estratego operacional do 25 de Abril, nos primeiros tempos a seguir ao triunfo por que enfunou estrídula jactância logo no acto em que lhe foram colocadas as estrelas sobre os ombros, posteriormente e até ao 25 de Novembro de 1975, dada a sua constante fanfarronice cujos efeitos foram provocar medo, angústia e até fuga de inúmeras pessoas da sua Pátria.


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