Armando Fernandes

 

 

Da joeira para a peneira

Poucos jovens citadinos saberão distinguir numa feira semanal de caras e cunhos, uma joeira de uma peneira, mesmo indo ao sabichão de bolso movido a lítio mineral da predilecção do ministro Galamba, também conhecido pelo brinquinho, símbolo de servidão desde tempos imemoriais ainda usado por várias espécies de gado nos pastos e lameiros de Trás-os-Montes que, o inefável Galamba olhou a correr dado o receio de ser apedrejado.


Para onde vamos?

Ao contrário dos cataventos (uma personalidade política recebeu esse significado) as pessoas mesmo as mais espaventosas gostam de ser encaradas de forma séria, responsável, fora da classificação de troca-tintas a que Cesário Verde o grande poeta do enaltecimento de Lisboa, engasgou um gracioso que lhe chamou Cesário Azul.


Belém

O desditado quão célebre escritor cubano Cabrera Infante, na sua fascinante obra O Livro das Cidades ensina-nos a ver, ouvir, perscrutar, cheirar, provar, tactear, cidades, outras terras e paisagens que visitamos nas nossas andanças pelo Mundo. No que tange às minhas experimentações, coloco Belém e Jerusalém no restrito número das que suscitaram maiores reflexões sobre o Homem, as religiões e hierofanias.


Padre Miguel

O desejo de escrever, descrevendo a minha admiração pelo antigo sempre presente pároco da freguesia de Santa Maria de Bragança, esbarra no receio de garatujar banalidades de prosápia relativamente a uma personalidade desarmante porque a sua sotaina de simplicidade espartana, na linha do amigo das avezinhas de Assis, esburacava as capas com murças finas a aconchegar pescoços altivos a remeterem-me para a figura de Nicolau de Cusa, o intelectual dos decretais. Não por acaso o conclave juvenil da sua criação Os Pardais da Montanha revela quão S.


O 25 de Novembro de 1975

Nesse tresloucado tempo, estava a coordenar um acto formativo destinado aos elementos das Bibliotecas itinerantes, os quais vieram para um bom Hotel de Lisboa, a expensas da Fundação Gulbenkian depois de ter obtido a aquiescência do Administrador do Pelouro, o emérito professor doutor Ferrer Correia, bem como a concessão da verba necessária para o pagamento de todas as despesas com a organização do cursilho durante duas semanas, cujo custo total orçou a quantia de uns 600 mil escudos incluindo os «professores convidados», filósofo e professor de literatura clássica, o poeta e antigo Encarre


CASTANHAS

O Mensageiro informa-me que este ano a colheita do pão de madeira é menor e está atrasada. Desde a escrita de um texto para o livro Maria Castanha da autoria do estimado amigo Jorge Lage que, nada tenho lido acerca do fruto de sentido castanha/castanha que, os bons dicionários de cores escalpelizam a preceito.
Nos países produtores de castanha, o fruto assumiu crucial importância no amenizar a fome ancestral de todos os deserdados, humilhados e ofendidos para lá das jocosidades derivadas dos seus efeitos


Necrologia

O título desta crónica pode parecer despropositado, ao estilo dos jornais de antes da revolução tecnológica, mas é propositado, a causa reside no facto de outrora íamos sabendo da passagem para o mundo dos mortos através da leitura dessa secção, pois os leitores da diáspora recebem a informação a conta-gotas na correnteza do efémero da vida/vida sem as notações dos desaparecidos. Ora, este jornal, apesar da vertiginosa e gigantesca torrente de palavras via redes sociais, mantém a boa prática de dar conta da morte de mulheres e homens de Bragança e terrunhos adjacentes.


Cornucópia de dúvidas?

Os ziguezagues de António Costa, após a apresentação da cornucópia de milhões em oito medidas destinadas às populações atingidas pela crise, continuam a suscitar uma avalanche de dúvidas, a desassossegarem as pessoas cada vez mais amedrontadas ante a persistência da guerra na Ucrânia, o aumento da inflação e perspectivas do desenfreado galope do custo da energia.


Tribulações

Podemos não querer dedicar atenção às desgraças que continuam a fustigar o País de-lés-a-lés, numa continuidade destrutiva a colocar em risco no futuro o nosso património natural e ambiental.


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