Armando Fernandes

 

 

O 1º de Dezembro

A importância do 1º de Dezembro permanece hoje inquestionável para qualquer entendimento da nossa História, mormente quando a questão da independência da Catalunha está no auge e os fundamentalistas identitários encafuados num visceral ódio ao Homem branco a levá-los à não boa reflexão relativa ao entendimento da tomada de atitudes em função, da época e da visão estratégica do poder relativamente a povos desconhecidos ou vaga e medrosamente intuídos.


A Espanha aqui ao lado

Há um taleigo de anos, fui a Rio de Onor, levava a ânsia de ir ao estrangeiro, tinha catorze anos. Uma corrente presa a dois blocos de pedra, um de cada lado, delimitava a fronteira. Para o lado de cá um P, para o lado de lá um E, significavam as duas letra a delimitação dos dois países. Bebi uma laranjada muito doce, trouxe rebuçados. Nada mais, mas tinha ido a Espanha.


Ministros e Secretários de Estado

Antes do 25 de Abril os pícaros citadinos alfacinhas funcionários do Palácio Foz quando falavam de Trás-os-Montes diziam ser território exportador de ministros, criadas de servir e polícias – GF, GNR, PIDE e PSP – enunciando por um lado a qualidade intelectual e capacidade de decisão dos ministros, por outro a pobreza das gentes transmontanas que as obrigava a remeter as filhas e os filhos para Lisboa na procura de pão branco e sapatos para calçarem no dia da festa na aldeia caso viessem frui-la.


Rogério Rodrigues

Ainda não eram as duas da madruga quando o telemóvel tocou a anunciar a má nova. O Rogério morreu. O nosso comum amigo, o Alexandre Manuel, também veterano do jornalismo e professor no ISCTE audivelmente contristado deu-me pormenores acerca do passamento Rogério exímio repórter, jornalista íntegro até à medula, nosso companheiro de décadas, sempre atento, nas horas boas e, sobretudo nas horas más.


Eleições na Madeira

O PSD aguentou-se bem, o PS capitalizou os votos de toda a esquerda demonstrando um apetite canibal a corroer o eleitorado da esquerda caviar, entenda-se Bloco de Esquerda, a CDU à beira de ser deglutida dado enorme apetite dos camaradas de António Costa, os apaniguados da Senhora Cristas vão ser contemplados com grossas talhadas da melancia governamental pois estão numa posição charneira ao modo de bisagra (um dirigente local defendia núpcias a estabelecer com o independente cabeça de lista da mãozinha cor-de-rosa), os Juntos Pelo Povo explicam o perigo da regionalização e explicam as razõ


A campanha não alegre

O Senhor Eça escreveu virulentos acerca da vida política portuguesa e por isso mesmo a salientar a piroseira social repleta de tiques, ademanes e espertezas ridículas contaminantes das instituições no geral, dos homens e mulheres do grupo social de maior relevo em particular.


Pardal sem rabo

O garboso primeiro-cabo corneteiro do Batalhão de Caçadores 3 sedeado em Bragança ficava furioso, a espumar raiva quando os rapazes, ululantes, activados pela maldade recebida dos mais velhos entoavam pardal sem rabo. Era meão de estatura, tarimbeiro de profissão,


Inteligência Artificial

Durante anos procurei perceber os rudimentos da inteligência artificial. Só queria ultrapassar os ensinamentos contidos no manual Bonifácio sobre o acto e função do pensar ou ir para lá do enunciado de Descartes – penso, logo existo – que está na base de a pouco a pouco, de degrau a degrau, abrir e estimular a pulsão do amor pela leitura, logo do desejo de a todo o tempo nunca esquecer o valimento da palavra escrita, cerzida diariamente, emendada, contida ou loquaz, calma oi agressiva, enfim: a palavra obra dos humanos em todos os sentido s…da palavra.


A Misericórdia

A mais remota e esbatida imagem que retenho da Misericórdia, leia-se Santa Casa da Misericórdia de Bragança é a de na minha meninice ser trado no sal Hospital a uma queimadura contraída no braço direito por causa de um acto voluntarista de gula. Posteriormente, já na adolescência voltei a transpor o portão de entrada de pilares encimados por globos a irradiarem luz trémula, balbuciante, envergonhada, nas noites invernais, nesse tempo quem me deu injecções foram freiras simpáticas de sorriso largo, de vozes acetinadas, de sílabas abertas de forma a serem entendidas à primeira.