Pe. Estevinho Pires

Mesmo em tempo de pandemia a espiritualidade na saúde é um direito e um dever universal

Dada a pertinência da afirmação do acompanhamento humano e espiritual ao doente, volto ao tema abordado por mim n.º 3784, deste jornal. É fundamental não esquecer o doente, neste tempo de pandemia! A espiritualidade na saúde é um direto e, um dever universalmente consagrados, reclamem-nos! Dada a compreensível e necessária restrição das visitas, aos familiares, por receio da propagação da pandemia à comunidade, podem sempre contar com a colaboração do assistente espiritual e religioso no hospital, ele está ao vosso dispor, contactem-no para ser o vosso interlocutor com o vosso doente!


As Confrarias, o espírito e, a oportunidade.

A Igreja não é mais uma sociedade desigual, onde Deus destinou os clérigos para comandar e, os leigos para obedecer. Se assim é deve-se ao Concílio Vaticano II [Vat. II] e, a teólogos como Yves Congar que exiliaram por três vezes para ver se o obrigavam a desistir de estudar, ensinar, escrever e publicar sobre as questões que exigiam reformas inadiáveis na Igreja Católica. Apesar de tudo aguentou e, João XXIII chamou-o para perito do Vat. II. Bastante do que o Vat. II analisou a ele se deve, nomeadamente o que se refere aos leigos na Igreja.


A Confraria dos Chãos e a assistência aos feirantes [2]

Os Chãos pela sua localização estratégica teve uma importante feira, grande promotora do desenvolvimento local. As feiras mensais, na sua grande maioria, eram instituídas pelo poder central e, restringiam-se quase sempre às sedes de concelho. As anuais coincidiam, em geral, com as grandes festividades litúrgicas. A feira dos Chãos não sendo medieval e, apesar do declínio que algumas sofreram, atravessou o século XVII. O primitivo santuário aparece como resposta à assistência dos feirantes, mercadores e almocreves, que se dirigiam de Bragança para Mogadouro, Mirandela e, Moncorvo.


Nem a última encomendação, da assembleia do clero com agentes funerários, teve tanto impacto.

Retomar as missas a 31 de maio não significou ainda o fim à pandemia, mas o regresso a uma nova normalidade. Os Bispos acordaram orientações com as autoridades sanitárias para garantir a proteção contra a infeção, responsabilizando-nos a todos e cada um. Agora a hora é de cada bispo à frente da sua Diocese.
Este combate quase exige de cada diocese o seu diretório de culto em tempo de Covid - 19, um manual de procedimentos na contingência, detalhado, celebração por celebração, para lutar conjuntamente, com mais rigor, contra tal inimigo.


Brigantinos do culto e, da cultura

Como é que uma diocese pobre, como Bragança, do “interior profundo”, esquecido, de Portugal, tem tantos sacerdotes, duas gerações de homens do culto e da cultura, reconhecidos no mérito, académico, literário, político e, científico?
O Cónego Silvério Pires convoca doze sacerdotes, eu acomodo-os em duas equipas por ordem cronológica, a história do século passado conferiu-lhes as insígnias, atribui-lhes os méritos e, louvores. Ora, vejamos como fica constituído o plantel:


A confraria do Divino Senhor da Agonia dos Chãos [1]

Chãos provém do étimo latino “planus”, que pela via erudita deu plano e, pela via popular chão. Para Belarmino Afonso a configuração do terreno, sem acidentes físicos de monta, plano e com alguns lameiros, confirma versão etimológica popular. Já o Abade de Baçal refere, entre outros, que na Idade Média o termo Chãos indicava um lugar não acastelado, nem defendido por fortificações militares.


Quatro palavras vocacionadas: gratidão, coragem, tribulação e louvor

O Papa Francisco é comedido nas palavras para, como se diz na gíria desportiva e militar, acertar no alvo e não desperdiçar munições. Falou de quatro palavras da vocação, na celebração do 57.º Dia Mundial de Oração pelas vocações, no dia 3 de maio: “gratidão, coragem, tribulação e louvor”. Ainda que de forma improvável, eu sinto as palavras vocacionadas, neste tempo de pandemia, refletidas nas notas e comunicados da Conferência dos Bispos Portugueses, Espanhóis e, Italianos.


Ajuda na libertação do cerco, com mensagens aos que fazem funcionar o país

A necessidade de ser úteis e, cumprir a boa ação, levou os escuteiros, caminheiros [jovens adultos, dos 18 aos 22 anos], do Agrupamento XVIII, de Bragança, no dia 30 de março, deste ano, a lançar uma iniciativa de apoio a quem está na primeira linha de combate à Covid-19, o “Abrigo de Sorrisos”. Esta plataforma informática alojada no “Facebook” senta todo o agrupamento a desenhar, a escrever e, também a pedir mensagens, como o Chefe Pedro Fernandes: “conhece alguém que está na “linha da frente” a trabalhar por nós? Quer escrever uma mensagem de motivação para esses Heróis?