Armando Fernandes

 

 

O funeral

Se eu, autor de crónicas sentidas, manejasse a arte da escrita tão bem quanto Fialho de Almeida, atrevia-me a tentar escrever o relato do funeral de Mário Soares, ao modo do seu opulento, tremendo, fascinante texto do fundibulário relativo ao enterro do rei Dom Luís.


Adeus Ano Velho

Sai de cena deixando poucas saudades a todos quantos pesam as inquietações referentes ao ano novo acabado de chegar. Os momentos de alegria ocorridos durante os doze meses da sua ossatura contam-se pelos dedos de uma mão (como faziam os meninos na época das ardósias) sobrando dedos pois prevaleceu o desajuste entre o merecido e o conseguido.


NATAL

Seria rematada tolice aflorar, mesmo ao de leve, as representações de Natal encerradas na mala escolar da minha memória. Todos quantos fazem o favor de ler os escritos da minha lavra já repararam na secura de algumas colheitas memorialísticas consequência da cesura do tempo, embora procure compensar a prevalência do joio recorrendo a palavras bem-humoradas.


O 1.º de Dezembro

O 1.º de Dezembro
O primeiro de Dezembro em Bragança continua a lembrar-se na minha memória de forma a ser acontecimento simbólico, extraordinário, fora da litania lacrimejante ou da evocação serôdia, sim dentro da realidade singular das vivências marcantes numa adolescência cinzenta, de poucos raios luminosos no enfadonho e circular quotidiano. E, a adolescência para a maioria dos estudantes foi radiosa. Algumas e alguns talvez se lembrem do livro Juventude Radiosa, muito aconselhado aos jovens. Recordam-se?


O 1.º de Dezembro

O primeiro de Dezembro em Bragança continua a lembrar-se na minha memória de forma a ser acontecimento simbólico, extraordinário, fora da litania lacrimejante ou da evocação serôdia, sim dentro da realidade singular das vivências marcantes numa adolescência cinzenta, de poucos raios luminosos no enfadonho e circular quotidiano. E, a adolescência para a maioria dos estudantes foi radiosa. Algumas e alguns talvez se lembrem do livro Juventude Radiosa, muito aconselhado aos jovens. Recordam-se?


Lisboa? Pois!

Através da palavra e da escrita tenho manifestado veemente protesto contra as tentativas de o tema regionalização regressar à agenda política. Ao menor pedido de opinião políticos nordestinos lembram a regionalização ao modo de receita panaceia capaz de curar todos os males, revelando pouco estudo e minguada imaginação. É pena.


FINADOS

A nossa morte é uma certeza sem desfalques, sem excepções, toca a todos. Todos os povos, mesmo os primitivos não escondem o pesar ante o desaparecimento dos parentes, honrando-os através de cerimónias de vários tons e sons, assinalando o local onde foram sepultados.
Para lá dos povos primitivos todos conhecemos as diversas fórmulas empregues pelos povos evoluídos no exaltar dos parentes falecidos, as quais integravam um banquete fúnebre.


O Mundo Novo

Em 1932, Huxley publicou o romance Admirável Mundo Novo provocando uma avalanche de opiniões e comentários, colhendo louvores de todos quantos acreditam no incessante progresso técnico, arrecadando críticas dos desinteressados em mudanças porque na sua opinião um Júlio Verne dado a entusiasmar miúdos e graúdos chegava e sobrava.