A opinião de ...

A moça Greta

A moça Greta não leu nem vai ler a obra portuguesa Menina e Moça, se tivesse a ventura de a ler talvez intuísse o sofrimento da saudade pela harmonia do território, a paisagem bucólica, os rios limpos a correr em direcção ao mar rijo ou suave desprovido de lixo nele despejado por pacóvios de todas as nacionalidades, serras sem cicatrizes profundas derivadas de incêndios e devastações alimentadoras de vorazes indústrias de papel sedeadas no norte da Europa.
A moça Greta é oriunda dessa Escandinávia frígida rodeada de água doce e salgada, onde a noite dura seis meses, atormentou o diplomata e nosso excelente poeta António Feijó (bem merece serena leitura o que a Escola não propicia), dias pardacentos sucedem-se só sendo quebrado durante uma nesga de tempo, por isso mesmo afluem às praias e restaurantes dos países do sul europeu esquecendo alegremente durante dia, meses ou anos as serras, os fiordes, a carne de rena e os lombos de salmão porque de melancolia estão intoxicados até às unhas dos pés.
A moça Greta é obsessiva quanto os seus conterrâneos a criarem uma figura não existente – o Pai Natal –, levando à sua aceitação a nível global em detrimento do admirável Menino Jesus, porém o Menino nasceu pobre, humilde, numa manjedoura, tendo por companhia um burro e de uma vaca cujas sucessoras vão deixar de alimentar os estudantes abotelados nas cantinas da Universidade de Coimbra mercê de patética decisão do reitor. Para lá destas realidades o Menino veio à luz do Mundo no deserto cuja escassez de água já era notória, se duvidam leiam o livro e vejam filmes sobre os heróis de Massada.
Ninguém de bestunto oleado coloca em dúvida a imperiosa urgência em serem adoptadas regras e medidas destinadas a defendermos o ambiente, a estancarmos as agressões à natureza, darmos o exemplo de forma a esvaziarmos o sentenciado por Frei Tomás, num exercício continuado de cidadania e não do burlesco espectáculo da veneração da moça Greta, levando os jovens ao mimetismo oco e palavroso apoiado por dirigentes escolares e professores no remanso da greve às aulas satisfazendo a ânsia de bródio a qualquer altura e a qualquer momento. Interessante era ver os meninos e as meninas, os pais e encarregados de educação a desfilarem nas ruas depois das aulas, ou seja: manifestações sim, gazeta às aulas não.
Os vens estão obesos de vontades satisfeitas, raros progenitores dizem a palavra NÃO, os pais macaqueiam os rebentos (escrever fedelhos é feio), os adolescentes pretendem tudo, nas horas de aflição lembram-se dos pais, para lá disso verifiquem como eles gastam o tempo e onde o gastam. A sociedade do espectáculo (Debord) está na ordem do dia e a rapariga Greta faz parte do elenco muito bem ensaiado como pudemos perceber em Lisboa e ver em Madrid.
Um humorista espanhol sugeriu oferecerem um burro à jovem a fim de percorrer alguns quilómetros substituindo a máquina a diesel do comboio, camursos somo nós ao ficarmos quietos e calados ante as manifestações de burrice para gáudio dos burros animais inteligentes e pacíficos até perderem a paciência.

PS. Camurso; animal metade camelo e metade urso fruto de uma experiência de insvestigadores portugueses.

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