Armando Fernandes

 

 

A Espanha aqui ao lado

Há um taleigo de anos, fui a Rio de Onor, levava a ânsia de ir ao estrangeiro, tinha catorze anos. Uma corrente presa a dois blocos de pedra, um de cada lado, delimitava a fronteira. Para o lado de cá um P, para o lado de lá um E, significavam as duas letra a delimitação dos dois países. Bebi uma laranjada muito doce, trouxe rebuçados. Nada mais, mas tinha ido a Espanha.


Eleições na Madeira

O PSD aguentou-se bem, o PS capitalizou os votos de toda a esquerda demonstrando um apetite canibal a corroer o eleitorado da esquerda caviar, entenda-se Bloco de Esquerda, a CDU à beira de ser deglutida dado enorme apetite dos camaradas de António Costa, os apaniguados da Senhora Cristas vão ser contemplados com grossas talhadas da melancia governamental pois estão numa posição charneira ao modo de bisagra (um dirigente local defendia núpcias a estabelecer com o independente cabeça de lista da mãozinha cor-de-rosa), os Juntos Pelo Povo explicam o perigo da regionalização e explicam as razõ


A campanha não alegre

O Senhor Eça escreveu virulentos acerca da vida política portuguesa e por isso mesmo a salientar a piroseira social repleta de tiques, ademanes e espertezas ridículas contaminantes das instituições no geral, dos homens e mulheres do grupo social de maior relevo em particular.


A Misericórdia

A mais remota e esbatida imagem que retenho da Misericórdia, leia-se Santa Casa da Misericórdia de Bragança é a de na minha meninice ser trado no sal Hospital a uma queimadura contraída no braço direito por causa de um acto voluntarista de gula. Posteriormente, já na adolescência voltei a transpor o portão de entrada de pilares encimados por globos a irradiarem luz trémula, balbuciante, envergonhada, nas noites invernais, nesse tempo quem me deu injecções foram freiras simpáticas de sorriso largo, de vozes acetinadas, de sílabas abertas de forma a serem entendidas à primeira.


Os mil olhos do fisco

No grupo dos animais lendários avulta um dotado de enorme poder de destruição de tudo quanto o seu olho caleidoscópio fixa em seu redor. Eu não sei se Orwell ganhou inspiração para os seus livros acerca do Grande Irmão que tudo vê, ouve e regista ou dos porcos triunfantes, mas sei que os escritos do brigadista na guerra civil de Espanha considerados na altura da sua publicação desajustados à realidade futura, alarmistas e ressabiados de um homem zangado com ele próprio por ter acreditado na utopia comunista.