Armando Fernandes

 

 

O Mata-Bicho Para o Alberto Fernandes

Na semana passada telefonei ao meu amigo Alberto Fernandes a fim de saber novas e mandados sobre o seu estado de ânimo e saúde da família em face da pandemia. Falou-me que nem um rouxinol madrugador e lembrou-me que nós, os de Bragança, estamos habituados, desde há muito tempo, mesmo muito, a matar o bicho. Enviei-lhe abraços e a promessa de escrever uma crónica relativa ao mata-bicho. É verdade, noutras terras, noutros lados, em todo o País matava-se o bicho, as receitas é que variavam.


A quarentena

Após o primeiro dia de quarentena senti-me como se estivesse em Cabinda, no rectângulo aquartelado do Dinge, uma antiga serração de madeiras preciosas vindas da floresta do Mayombe, onde estávamos imersos na companhia de elefantes, gorilas, venenosas serpentes e os suga sangues a que apelidávamos de miruis dada a sua microscópica pequenez permitindo a este mosquito pousar sobre o nosso corpo e banquetear-se à vontade.


Carnaval todo o ano

O título desta crónica é o de uma poesia do grande poeta brasileiro Manuel Bandeira, o grande modernista sofre do mal do esquecimento tal como inúmeros poetas de igual talento porque ler no entender de muita gente dita culta é maleita custosa e obriga a pensar. Por isso mesmo pense-se no grau de iliteracia reinante apesar dos burocratas culturais acenarem com estatísticas de vendas as quais englobam as provenientes dos dos livros de apoio escolar e correlactivos.


Sem olhos em Mirandela

Há dias vi e ouvi as dificuldades porque passa um jovem invisual a viver na cidade das alheiras famosas porque o comboio na altura findava o percurso naquela localidade. Dos idos novecentistas dos primórdios até agora a vila transformou-se em burgo alargado na volumetria e exíguo para não dizer asfixiado no que tange a equipamentos, sinais e apoios a toda a casta de desvalorizados fisicamente em geral, a cegos tão cegos quanto Homero e Castilho em particular.


E agora, Rui Rio?

No vai vem da vida política agrada-me a probidade de todos quantos a elegem como estandarte a preservar contra ventos e marés de vários quilates e tentações. Ora, é a probidade que emana do currículo deste homem teimoso, dado a embirrações, de costas voltadas para salamaleques e punhos de renda e que ajudei a eleger como Presidente do PSD. Não é um homem vão, catavento a falar disto e daquilo, de tudo e de nada, tão jeito da sociedade de espectáculo (Debord) que povoa, enche, está a prevalecer no dia-a-dia político centrado em S. Bento, Belém e Gomes Teixeira.


Natividade

Nascimento do Menino é a Natividade para além de ser substantivo feminino. Nascente de nascer o Menino, tal como das fontes brota água ou seja vida. A esterilidade das fontes significa desolação, miséria, fome, morte.


A moça Greta

A moça Greta não leu nem vai ler a obra portuguesa Menina e Moça, se tivesse a ventura de a ler talvez intuísse o sofrimento da saudade pela harmonia do território, a paisagem bucólica, os rios limpos a correr em direcção ao mar rijo ou suave desprovido de lixo nele despejado por pacóvios de todas as nacionalidades, serras sem cicatrizes profundas derivadas de incêndios e devastações alimentadoras de vorazes indústrias de papel sedeadas no norte da Europa.