Armando Fernandes

 

 

Jornal cor-de-rosa

Morreu Vicente Jorge Silva! Para desgosto meu e de inúmeros admiradores mesmo quando causava irritação, até fúria.
O Vicente conseguiu desencravar o título – Comércio do Funchal – causando sensação pela sua cor de truta salmonada e conteúdos tratados de forma a desagradarem à censura e polícia política salazarista.


Rufar de tambores

Há semanas escrevi e foi publicado neste jornal um artigo intitulado Liderança (Lideranças onde abordava a próxima eleição da equipa que irá gerir a CCDRNORTE). O artigo, tal como outros da minha lavra suscitou reacções, uma delas de um velho e estimado amigo a determinada atirou arguta observação: «olha lá, no teu artigo Liderança o perfil da personalidade que preconizas para desempenhar o lugar de máximo responsável da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento do Norte assenta como uma luva no Engenheiro António Jorge Nunes. Acertei?


O acre e o doce

Na penúltima edição do Mensageiro duas notícias proporcionaram-me dores distintas: uma acre, amargosa, biliosa de um fel de dor descarnada do corpo, a outra de uma doçura a conceder-me alegria originada pela perpetuação da memória do ente querido falecido no mês de Outubro do ano transacto. As duas notícias tresandam a morte, acicatam a realidade – não somos imortais –, bem no fundo o nosso egoísmo lembra o de Matusalém, por isso mesmo, está-nos vedado sabermos o dia da nossa despedida da Terra, não fossemos terra, cinzas, pó, nada mais.


A Dona Alegria

Vestia e pintava-se dentro do colorido mexicano – verde, amarelo, vermelho –, por isso, a sua figura excêntrica a considero digna de figurar num quadro de outra magnificente extravagante mulher, a pintora de sobrancelhas cabeludas Frida Kahlo. A Dona Alegria não fazia mal a uma mosca que aterra-se no seu rosto carregado de pós-de-arroz, rouge e tinta preta nos sobrolhos. Às vezes desandava da cidade indo para a casa do irmão, em Lisboa, o discreto general Neto, figura da corte salazarista.


Autenticidade. Autenticidades

egundo este jornal o responsável pelo Turismo do Porto e do Norte de Portugal foi a Rio de Onor em viagem de promoção turística, como não podia deixar de ser botou faladura, patati-patatá generalista pós prandial e, num assomo de genialidade retirada do manual do Senhor de la Palice, proclamou: autenticidade é o melhor argumento para atrair turista nacional.


A perigosa estupidez

Tratados sobre a estupidez há muitos, desde ensaios profundos, graves e reflectidos até aos jocosos e obscenos passando pelos de aforismos, citações e os escorados em romances, o monumental O Homem sem qualidades é paradigma disso mesmo, ou de índole filosófica, religiosa e sociológica. Se a estupidez individual assusta, a das multidões amedronta muito mais. O pensador Gustave le Bon (século XIX) em A Psicologia das Multidões explicita o tema e alude às consequências quando o poder da multidão mexe no pote do arbítrio, da demagogia e da exploração das desigualdades sociais.


A presunção da professora

Talvez porque estão na moda as máscaras, uma professora de Freixo a vendar aulas em Bragança, demonstrou a impassibilidade de máscara e conflito irreconciliável com o bom senso ao postar no Facebook jactâncias de vampe em plenitude no tocante a atributos de sedução sensual capazes de provocarem sedenta inveja em amigas e/ou conhecidas.


La donna é mobile

O Dr. Hernâni Dias no âmbito das suas responsabilidades políticas e sociais criticou o Secretário de Estado da Mobilidade porque este num alarde de prosápia ingente a quem não tomou chá em pequeno entendeu dar a conhecer a sua má educação e resolveu não comparecer as duas reuniões previamente marcadas por quem detém competência para o efeito a fim de ser planeada e discutida a estratégia a empregar no distrito contra a pandemia do vírus C-19.