Bragança

Simulacro conjunto da Proteção Civil portuguesa e espanhola deixou a nu dificuldade de 'nuestros hermanos' com o português

Publicado por António G. Rodrigues em Sex, 01/02/2026 - 14:52

Um simulacro realizado a 17 de dezembro na aldeia fronteiriça de Rio de Onor, em Bragança, entre as Forças de Segurança portuguesas e espanholas, deixou a nu as dificuldades de comunicação que se sentem do outro lado da fronteira na hora de perceber o português.

Essa foi uma das conclusões tiradas após um exercício de larga escala que envolveu Proteção Civil, GNR e Bombeiros e que envolveu cerca de uma centena de homens.

"É o terceiro ano em que nós fazemos simulacros transfronteiriços, porque entendemos que ainda há espaço para potenciar a articulação de um lado e do outro dos países. E tendo em conta também uma vasta área de linha de fronteira que o mantém esta sub-região. O que simulamos aqui hoje foi um incêndio rural em que um dos objetivos era articular as forças de um lado e do outro da fronteira, mas o outro, não menos importante também, sensibilizar e preparar a população desta localidade para a implementação do programa Aldeia Segura e Pessoas Seguras. dentro desta tipologia de cenário. Tivemos também um incêndio urbano, tivemos dois desaparecidos também para a Guarda Nacional Republicana e para a Guarda Civil se articularem entre si e, portanto, tivemos aqui uma panóplia de incidentes simulados, exatamente todos eles, para potenciar essa interação entre ambas as entidades", explicou o Comandante da Proteção Civil da área da CIM Terras de Trás-os-Montes, João Noel Afonso.

Para além do problema linguístico, que do lado português não apresenta tantas dificuldades, também a falta de cobertura de rede em algumas zonas do concelho foi apontada como uma das dificuldades sentidas no terreno.

"Desde logo, em termos de comunicações, estamos numa zona difícil de cobertura de comunicações, mas também num cenário real tínhamos de combater com isto. Nós temos redes de rádio redundantes para isso e utilizámo-las. O resto foram as dificuldades normais dos incidentes que se foram injetando também para potenciar o treino. As pessoas já estão sensibilizadas para os procedimentos que têm que fazer em caso de emergência", frisou o mesmo responsável.

Isabel Ferreira acompanhou ação no teatro de operações

A presidente da Câmara de Bragança esteve presente no teatro de operações para se inteirar dos problemas sentidos e prometeu estar atenta às dificuldades sentidas com as falhas da cobertura de comunicações.

"É algo que precisamos de resolver porque há ainda muitas zonas que chamamos brancas e cinzentas onde não há cobertura de rede. Mas, para isso, o município também já está a trabalhar no sentido de conseguir o preenchimento máximo das zonas onde não existe nomeadamente fibra óptica e possa haver em todas as zonas, sejam zonas agrícolas, comerciais, industriais. Precisamos de uma cobertura integral do território", disse.

A autarca explicou que "houve um concurso nacional precisamente para garantir a cobertura destas zonas, houve uma empresa vencedora mas, infelizmente, foi impugnado por uma das empresas concorrentes. No entanto, sabemos que a empresa que venceu o concurso tem vontade de investir, não está dependente de fundos europeus. Será um investimento total de 300 milhões de euros, 50% de fundos europeus regionais e 50% de investimento privado, mas neste caso, como a empresa tem vontade de investir sem recorrer a esses fundos, também estamos a articular para que isso aconteça rapidamente. Já estamos a localizar quais são os pontos onde as maiores infraestruturas devem estar localizadas no concelho e tudo faremos para que em 2026 avance essa concretização", garantiu.

Jesús José González Tejada, Chefe de Operações da Guardia Civil de Zamora, apontou, também, as dificuldades com as comunicações como um dos problemas, resolvido com recurso ao sinal wi-fi do carro de Comando de Operações, que permitiu a utilização de sistemas alternativos como o whatsapp.
Mas Jesús Tejada pede, ainda, que haja oficiais de ligação com o domínio de ambas as línguas. "O idioma também tem sido um pequeno problema, porque é verdade que, de um modo geral, nos entendemos bastante bem entre nós. Contudo, entre as pessoas que estão a cargo dos postos de comando, seria importante que houvesse um melhor domínio da língua, pois há algumas pequenas questões que, por vezes, não ficam claras ou não são bem compreendidas", sublinhou.

Para o Major Hernâni Martins, da GNR de Bragança, as dificuldades já eram esperadas. "Tentamos procurar colmatar isso com as nossas redes redundantes, como os nossos rádios fazem, têm um sistema de canal direto, que permite fazer, digamos, um walkie-talkie. É importante também continuar a definir e a desenvolver procedimentos e formas de atuação que envolvam as duas forças de segurança para que situações destas, no futuro, permitam encontrar os cidadãos desaparecidos o mais rapidamente possível", frisou, numa altura em que passa um ano desde o desaparecimento de um cidadão natural do Porto que tinha vindo passar uns dias ao Parque Natural de Montesinho e que nunca foi encontrado. 

 

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