A opinião de ...

"Papá, 'tamos 'xuntos'"

No Brasil, uma festa de noivado do pretendente à coroa e herdeiro da Casa de Bragança terá sido o responsável pela contaminação de alguns membros da elite económica e política brasileira. O mesmo país em que o crime organizado cerrou fileiras para proteger povo nas favelas. Na Inglaterra, o próprio Primeiro-Ministro foi esta semana internado nos Cuidados Intensivos. Um pouco por todo o mundo, do pé descalço ao sangue azul, grassam os exemplos de casos em que o novo coronavírus não olhou ao bilhete de identidade, à raça, cor, credo ou conta bancária para se apresentar e causar uma estrondosa primeira impressão. E como faz impressão ver as imagens da Praça de S. Pedro vazia de fiéis mas plena de Fé. "Quando nos sentimos encurralados, quando nos encontramos num beco sem saída, sem luz nem via de saída, quando parece que nem Deus responde, lembremo-nos que não estamos sozinhos", lembrava, por estes dias, o Papa Francisco.
Também D. José Cordeiro, numa mensagem dirigida aos fiéis da diocese de Bragança-Miranda (que publicamos mais à frente), sublinha que "estamos juntos, jovens e velhos. Estamos juntos 'na mesma barca'".
Estes tempos apanharam-nos a todos desprevenidos e ainda estamos todos a aprender a lidar com as causas e, sobretudo, consequências. Voluntarismo e voluntariado confundem-se, muitas vezes, mas nem sempre coabitam.
Nestes tempos, de emergência de líderes, é tempo de esquecer a luz que atrai mas cujo brilho ofusca. Porque nestes tempos em que uma crise de saúde ameaça com uma crise de economia, em que a sobreviência de todos está em causa, é por todos e com todos que vamos conseguir deixar a escuridão para trás. Como dizia uma das crianças cá de casa, do alto da sabedoria dos seus dois anos, "papá, 'tamos xuntos".
E juntos nos erguemos.

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