A opinião de ...

Post Scriptum: Sobre a crueldade dos números, ou a cegueira de quem não quer ver

De acordo com os “canones” ou, dito de outra maneira, conforme mandam as regras de bem escrever, sempre que, depois de terminar qualquer texto, se chega à conclusão que ficou por dizer qualquer coisa julgada como muito importante que por esquecimento, ou por qualquer outra razão não se enquadrava bem na sequência lógica pretendida, essa falta poderia ser convenientemente colmatada adicionando um “post scriptum” no final dos textos. Contudo, como facilmente se apercebe do significado das palavras, em condições ditas normais, essa adenda deveria ser sempre escrita, apenas e só, no final da trabalho, nunca no princípio e, muito menos ainda, nunca com honras de título.
Como para quase tudo nesta vida, também para este meu aparente contra senso há uma adequada explicação, resultante em parte da promessa deixada no meu anterior texto, no qual prometi que não voltaria a escrever sobre a festa do Avante, promessa que vou respeitar, vendo-me para isso obrigado a termina-lo com a adição deste “post scriptum” um pouco mais extenso, é certo, para juntar-lhe alguns dados importantes que, por naturais e compreensíveis limitações de espaço, não foi possível inclui-los então.
Certo da possível e mais que provável falta de rigor dum cálculo por estimativa, ter então referido a pouca expressão do evento da quinta da Atalaia, se dúvidas houvesse sobre a minha opinião, agora com o rigor científico dum trabalho feito com outras meios e outras possibilidades, a clareza e a força dos números divulgados pela recente sondagem feita pela Aximage para a TSF e para o Jornal de Notícias do Porto, acabaram com elas e, salvo melhor opinião, sobre este assunto, deixaram tudo em pratos limpos.
Na verdade, as 603 respostas às pergunta “se concordaram com a realização da festa do Avante” e se “acharam que foram cumpridas todas as regras de segurança impostas pela DGS”, foram taxativas, inequívocas e de tal maneira clara, que só não as entende quem não quiser.
À primeira pergunta, feita indiscriminadamente, 86% responderam que NÃO, 11% que SIM e 3% que não sabiam, ou não queriam responder. Já a esta mesma pergunta, quando feita exclusivamente a quem disse que votava na CDU, 49% disseram que NÃO e 48% disseram que SIM.
À segunda pergunta, sobre o cumprimento das regras de segurança emanadas da DGS, 9% declararam que as cumpriam, 30% que as cumpriam em parte e 43% que não as cumpriam.
Perante estes dados, cada um que tire as conclusões que entender.

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