Nordeste Transmontano

Planalto mirandês é a nova preocupação das autoridades de saúde (Análise semanal)

Publicado por António G. Rodrigues/Fernando Pires/Francisco Pinto em Qui, 2020-07-02 09:58

O aparecimento de um foco de covid-19 na aldeia da Póvoa, no concelho de Miranda do Douro, foi o principal foco de preocupação das autoridades na última semana e levou mesmo a GNR a encerrar dois quartéis para desinfeção, em Vimioso e Miranda do Douro.

 Em causa estão sete casos que surgiram desde o dia 24 de junho. O primeiro foi um homem de Lisboa, que estava na região desde o dia 02 de junho e começou a sentir-se mal. Dirigiu-se ao hospital e testou positivo. Neste momento, é o único internado com covid-19 na Unidade de Cuidados Intensivos.

Um dia depois testou positivo um outro homem, de 74 anos, proprietário de um restaurante na aldeia da Póvoa, amigo do caso anterior.

Foi o suficiente para soarem as campainhas de alarme, até porque as autoridades de saúde começaram a desfiar o rosário de contactos dos dois homens infetados.
Já esta semana acabaram por ser conhecidos mais casos naquele núcleo. A filha do proprietário do restaurante, o marido, que é militar da GNR e comandante do posto de Vimioso e dois funcionários do estabelecimento comercial.

Testou ainda positivo um outro militar da GNR, comandante do Destacamento Territorial de Miranda do Douro.

Estes casos positivos entre os militares levaram a GNR a ter de tomar medidas preventivas, nomeadamente a quarentena de quase 30 militares e o encerramento temporário dos postos de Vimioso e Miranda do Douro, para desinfeção (ver texto na página seguinte).

Entretanto, e como forma de "acalmar os ânimos" na aldeia, a Junta de Freguesia da Póvoa e a Câmara Municipal adquiriram 50 testes serológicos (de sangue) que disponibilizaram aos habitantes da aldeia, até porque as indicações da Direção Geral de Saúde passam por testar apenas "doentes com sintomas", deixando de fora contactos diretos de outros infetados, à semelhança do que tem acontecido, por exemplo, em Bragança. Em última análise, este tipo de procedimento torna mais difícil quebrar as cadeias de contágio por não deixar perceber exatamente quem está contaminado, até porque muitos dos infetados permanecem assintomáticos (sem sintomas).

No entanto, tal como já acontecera em Moncorvo, os especialistas indicam que este tipo de testes não são os mais indicados para aferir, ao momento, a presença do vírus no corpo humano mas, antes, a presença de anticorpos numa fase posterior ao contacto com o vírus. Os testes adequados seriam os de zaragatoa (com recurso a uma espécie de cotonete, que colhe amostras no nariz e garganta), mas que são mais caros. Ainda assim, isso mesmo foi dito às pessoas que fizeram o teste.
O Mensageiro procurou obter mais esclarecimentos por parte da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal de Miranda do Douro que, contudo, recusaram prestar declarações.

Já a ULS, em comunicado, disse ao Mensageiro que "as medidas adotadas na aldeia da Póvoa são iguais a todas as que foram e serão tomadas sempre que estejamos perante um caso positivo, e que são, de acordo com as orientações técnico normativas da Direção Geral da Saúde, as seguintes:

 

(Artigo completo disponível para assinantes ou na edição impressa)