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Capela do Senhor dos Perdidos, Vale Churido, Bragança Deixamo-la perder, ou recuperamo-la?

A capela do Senhor dos Perdidos está inscrita no itinerário da piedade popular das gentes de Bragança, faz parte da memória cultural e devocional, bem único, portadora duma mensagem que compete legar às gerações futuras.
Reza a lenda que, nos limites de Bragança, para lá do rio Fervença, se travou uma dura batalha, em tempos da reconquista cristã. Os Sarracenos liderados por Sá, à frente de mil homens, investem contra as tropas cristãs do conde de Ariães, vindo estes últimos a ser derrotados no sítio da Perdida, onde mais tarde se edificou a Capela.
Adérito Gino Gomes, vizinho, diz que na Perdida, para lá da ponte do Fervença, em tempos a propriedade era indivisa. Terá pertencido a uma Oblata, de apelido Pires, residente na Casa das Beatas a quem os fervores republicanos expropriaram e venderam os seus bens em hasta pública. Os terrenos foram adquiridos por quatro militares: o Capitão Matos, o Alferes Fernandes, o Capitão Mário Fernandes e, o Tenente Benjamim Santos Lopes, este último tio de Gino Gomes, para quem transitou em herança a parte junto à capela.
A capela confronta a nascente com Benjamim Lopes, sul e poente com o caminho público e, foi reclamada pela Fábrica da Igreja Paroquial da Freguesia de Nossa Senhora da Assunção de Samil ao Estado Português, em 17 de julho de 1942, sendo-lhe atribuída “a bem da nação”.
Por debaixo da caliça vê-se uma pequena pintura afresco, mas só uma prospeção às paredes poderá revelar o resto. A urna do altar é decorada com motivos vegetalistas dourados em relevo, purpurinados. O restante retábulo é pintado sobre a madeira, com pigmentos de policromia. Ainda possui a “pedra d’ara”, pois aqui, pese a exiguidade do espaço, celebraram-se eucaristias, casamentos e, batizados. Ao centro uma pequena cruz e, as imagens do Calvário, nas peanhas a Sra. de Fátima, São José e, por perto Santo Expedito. A toda a altura, na parede nascente, uma enorme cruz das almas policromada.
No exterior, a cornija de granito lavrado em papo de rola, duas cruzes e, 4 jarrões, na cobertura. A porta é em madeira sólida e, com janelão, gradeado em ferro forjado. As paredes do edifício encontram-se em degradação, devido às fortes infiltrações da água da chuva. O muro que cerca o exíguo adro também ele  manifesta incúria, com o tijolo à vista, por falta de revestimento.
Esta pequena jóia dos afetos devocionais dos Brigantinos, no Vale Chorido, zona nobre da cidade, é um exemplar da arte e espiritualidade barroca encontrando-se em acelerada degradação. Deixamo-la perder, ou recuperamo-la? A Fábrica da Igreja de Samil propõem-se recuperá-la e, aceita os nossos donativos [IBAN: PT50 0035 2015 0003101233046].

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