Bragança

ULS revela que está a proceder à melhoria das instalações

Publicado por António G. Rodrigues em Seg, 2020-03-30 13:16

Em resposta à denúncia feita por alguns profissionais de saúde sobre a falta de condições para o tratamento de doentes de covid-19 no hospital de Bragança, o Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Nordeste emitiu ao final da manhã desta segunda-feira um comunicado em que garante estar em curso “um processo de melhoria das instalações, com a colocação de equipamento de extração de ar que permita 6-12 renovações de ar por hora na UCI ADC, atualmente com 13 camas”.

“Estando já planeada a intervenção para as restantes ADC de Medicina Interna das três unidades hospitalares da ULS do Nordeste”, lê-se ainda.

Sem nunca se referir diretamente à participação assinada por alguns médicos e feita na passada quinta-feira, a que o Mensageiro teve acesso, e sem nunca negar o teor da mesma, a ULS esclarece que “em colaboração com a Autoridade de Saúde Pública, elaborou, a 06 de fevereiro, o primeiro Plano de Contingência para avaliação e tratamento de doentes com infeção por novo coronavírus, tendo sido uma das primeiras instituições, no contexto nacional, a ter um plano em conformidade com as orientações da Direção Geral da Saúde (DGS)”.

“Esse documento foi alvo de atualização, a 13 de março, com definição das áreas de triagem e isolamento de doentes nos serviços de urgência da ULS do Nordeste e, seguidamente, a 20 de março, com definição de áreas dedicadas à avaliação e tratamento de doentes Covid-19 (ADC), sempre em conformidade com as orientações da DGS. Tendo, inclusivamente, sido efetuados exercícios de simulação, cujo resultado foi alvo de análise e divulgação interna, com vista à garantia de eficiência do plano delineado e da melhor resposta assistencial à Covid-19 por parte da ULS do Nordeste.

As ADC de internamento iniciaram o seu funcionamento no dia 10 de março e, desde essa data, os planos têm sido ajustados às necessidades e de acordo com a evolução epidemiológica, em consonância com as orientações e normas da DGS”, lê-se ainda.

Ao longo do documento é referido várias vezes que as medidas tomadas estão “em consonância com as orientações e normas da DGS”, o que deixa antever que as orientações superiores em relação a esta matéria tenham sido curtas e desajustadas para as necessidades.

A ULS garante ainda que “foram efetuadas várias sessões de esclarecimento e formação, de 11 a 14 de março, e as mesmas foram repetida ad-hoc, a pedido dos serviços nas ADC, ao longo do mês, de forma a capacitar as equipas. Estas equipas foram ainda acompanhadas in loco com reforço da formação e através de sessões por vídeo conferência”.

Sobre os problemas no edifício de Medicina Interna, que data de 1973, a ULS revela que “pese embora alguns constrangimentos físicos, dispõe de 5 quartos de isolamento para colocação de casos suspeitos e de enfermarias para realização de coorte de doentes infetados, de acordo com as orientações da DGS”.

É neste ponto que o CA da ULS revela que está a proceder a melhorias nas instalações. “Porque a segurança dos profissionais de saúde é, para a ULS do Nordeste, uma prioridade, foi iniciado no mês de março um processo de melhoria das instalações, com a colocação de equipamento de extração de ar que permita 6-12 renovações de ar por hora na UCI ADC, atualmente com 13 camas. Estando já planeada a intervenção para as restantes ADC de Medicina Interna das três unidades hospitalares da ULS do Nordeste”.

Quanto aos meios de tratamento, a ULS do Nordeste garante dispor “dos meios indicados para o tratamento de doentes com insuficiência respiratória” e possuir “a reserva de equipamentos e medicamentos aconselhados no tratamento desta condição”. “A adequação dos meios está em permanente monitorização, face à evolução da situação epidemiológica”, lê-se.

No mesmo comunicado, a ULS diz que o contágio de profissionais terá sido externo aos serviços.

“Após análise, aponta-se para que o contágio de profissionais de saúde da ULS do Nordeste tenha inicialmente ocorrido a nível comunitário e não por tratamento de doentes infetados, uma vez que o primeiro doente infetado internado nessa área dedicada, na Unidade Hospitalar de Bragança, foi posterior ou contemporâneo ao surgimento dos primeiros sintomas nos profissionais”, refere o comunicado.

“De referir que os profissionais utilizam o equipamento de proteção individual (EPI) disponibilizado e indicado face à situação.

A ULS do Nordeste estará sempre do lado dos profissionais de saúde, e em proximidade com todos os intervenientes de Saúde Pública e Proteção Civil, de forma a implementar as intervenções necessárias, com o objetivo de mitigar a atual situação de pandemia, procurando por todos os meios possíveis nunca pôr em causa as condições de segurança dos profissionais nem os meios de tratamento dos utentes”, termina o documento.

Entretanto, o Mensageiro enviou à ULS uma série de perguntas sobre este assunto, esperando, ainda, uma resposta.