Segunda volta das Presidenciais. Era tão fácil evitar este vergonhosa inutilidade!
Sem subterfúgios de qualquer espécie, não há como maquilhar o fiasco em que deixaram, ou quiseram, que se transformasse a primeira volta apara a eleição do Presidente da República, realizada no dia dezoito de janeiro e, por arrastamento, toda esta campanha que se arrasta há quase um ano.
De acordo com a frieza dos números, classificar sucesso uma campanha desta natureza, duma vulgaridade atroz e duma pobreza confrangedora, que não olhou a meios para, depois de os massacrar com mais um mês de campanha a repetir as mesmas baboseiras, banalidades e idiotices de sempre, ao fim e ao cabo, conseguir obrigar os eleitores a voltar às urnas e sacar mais uns milhões de euros dos cofres do estado do dinheiro dos nossos impostos, dinheiro esse que poderia e deveria ser melhor aplicado para ajudar a suprir muitas das carências, tão apregoadas quando convém, de serviços de interesse comum prestados pelo estado, como a educação, a segurança, a saúde, a habitação, as creches, os transportes e tantos outros.
Duma campanha como esta para a eleição do mais alto magistrado da nação, disputada por uma parafernália de concorrentes tão grande, variada, colorida, curiosa e rica como esta, capaz de satisfazer todas as vaidades, caprichos e esquisitices dum eleitorado como o nosso que, muito provavelmente, nunca mais voltará a repetir-se à face da terra, convenhamos que era espectável, justo e razoável esperar muito mais.
Agora, porque os números não mentem, se os oito magníficos concorrentes da primeira volta não foram capazes de motivar quase metade dos eleitores, é caso para questionar o porquê de fazer uma segunda volta com apenas estes dois dos candidatos.
Na mesma ordem de ideias uma campanha como a da primeira volta que, por culpa exclusiva de todos os intervenientes, falhou em tudo o que não podia nem devia ter falhado, só por brincadeira ou mau gosto poderá ser considerada como um grande sucesso da nossa democracia.
É neste contexto que, no próximo dia oito de fevereiro, irá realizar-se a segunda volta, agora disputada apenas pelos primeiro e segundo candidatos apurados na primeira volta, os doutores António José Seguro e André Ventura.
Se, como muito bem diz o nosso povo, “A avaliar pela aragem, logo vê quem vai na carruagem”, estes candidatos não fizerem um esforço para respeitar os eleitores, respeitar e dignificar da função a que se candidataram e, simultaneamente, se respeitarem-se a si próprios, Deus queira que eu me engane, mas esta segunda volta tem todos os condimentos para correr sérios riscos de se transformar num espetáculo inútil, indecoroso e indigno duma sociedade democrática como a nossa, coisa que os eleitores dispensam muito bem.
Resta ter fé para que assim não seja.
