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Obras na Igreja [16]: O que é feito do púlpito?

O termo púlpito procede do latim, “pulpitum” e, significa «tribuna donde pregam, nos templos, os oradores sagrados» , encontra-se num lugar central, a uma altura elevada, numa parede lateral da igreja, ou adoçado a uma coluna, construído a meio da nave onde está a comunidade. Por não se usar e, não se fazer a catequese adequada, temos assistido à perda de memória e, por consequência à decapitação do gradeamento circundante de muitos púlpitos. O lugar da pregação é agora peanha de vaso, ou da última imagem adquirida para a igreja.
O púlpito foi pensado para favorecer a escuta das leituras e da homilia, para que se cumpra a escritura: «Desça como chuva a minha doutrina, minha palavra se espalhe como o orvalho, como chuvisco sobre a relva que viceja e, aguaceiro sobre a erva verdejante [Deut. 32, 2]». Dotado de escada de acesso, por vezes, sobrepõe-se-lhe uma cobertura que o protege, direciona o som da voz para a assembleia. Alguns púlpitos são verdadeiramente artísticos. Em algumas igrejas há dois: um de onde se proclamava a Epístola e do outro o Evangelho e a pregação.
Os meios modernos de ampliação sonora e, a renovação litúrgica vieram dispensar os púlpitos. A homilia deixou de se fazer daí e passou a fazer-se do presbitério e, de forma mais coerente, a partir da sede presidencial, enquanto as leituras se proclamam a partir do ambão.
Púlpito e ambão são duas plataformas elevadas que ao longo da história da Igreja tem partido e repartido a Palavra de Deus.
O ambão é um termo do grego que significa “elevação”. Desde o século IV, os cristãos usavam uma plataforma elevada durante a missa para cantar ou ler a Epístola e o Evangelho, semelhante à que os rabinos usavam nas sinagogas para ler as escrituras diante do povo. No livro de Neemias [8,4] diz-se que «o escriba Esdras estava sobre um estrado de madeira, construído para a ocasião». Esta peça é contudo inspirada texto de S. Mateus [5, 1-2]: Jesus «subiu à montanha, sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele. Então tomou a palavra e começou a ensiná-los».
Com o tempo surgiram dois ambões para distinguir entre a Epístola e o Evangelho: o ambão da Epístola era colocado ao lado sul do sacrário, enquanto o do Evangelho ficava ao norte. O desuso dos ambões, pelo século XIV, deu lugar aos púlpitos, plataformas para a pregação. No século XVI, com a “reforma protestante”, os púlpitos tornaram-se elemento central nas igrejas cristãs reformadas e, passaram a decair nas igrejas católicas. No século XIX, as igrejas católicas começaram a usar um atril [estante portátil das leituras], que era trazido para os sermões e retirado para o restante da missa.
Hoje proclama-se a Palavra a partir do ambão estável e não da estante móvel, colocado de tal maneira que os ministros ordenados e os leitores possam ser vistos e escutados convenientemente pelos fiéis [IGMR 272].

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