A opinião de ...

Pesos & Medidas…

Todos sabemos que na soma de vários números a ordem das parcelas é arbitrária, isto é, não existe sequência obrigatória em adição, razão pela qual me sinto livre nos caminhos deste texto, imaginação como guia e musa, democracia e igualdade social como meta.
De manhã à noite a matraca dos media audiovisuais dilaceram-nos os neurónios, rompem-nos os tímpanos, a luta pela fixação das mensagens dos candidatos, aos potenciais cargos da governação e poder, exauram a resistência dos mais fortes. Os jornais, de papel e digitais, lidos em relaxe e no sossego de local escolhido, relatam esforço ao convencimento, no aderir à opinião de outrem. Todos sabem que no momento da escolha seremos confrontados com uma decisão pensada como nossa mas, com toda a certeza, modelada pela envolvente que nos cerca e afoga, dos outros e do meio, apesar de nos julgarmos livres. Porque sabem disso, que somos a força motriz das sondagens, basta auscultar um punhado de gente para inferir o carreiro do rebanho. Só o ingénuo se pensa diferente.
Dou comigo inúmeras vezes, no matutanço, absorto no idealismo, indagando as respostas aos porquês, imaginando o chegar tsunâmico da onda que há muito se alevantou e que nos vai atingir, mais século, menos décadas: a desertificação galopante, o minguar avassalador dos recursos que sustentam a natureza como um todo, com o bicho homem incluído e observo, atónito, ao despudorado esquecimento na apresentação de soluções para o que aí vem: a brutal alteração do ciclo da água, fonte de vida do planeta azul, que empurra para a morte em alto mar uma planetária multidão, em marcha, sem norte.
Ao mesmo tempo, observo o desbobinar de ideias para satisfação de umbigos particulares e coletivos dirigindo-se abertamente a todos nós. Quanto a mim, respondendo ao chamamento, tenho dedicado muita atenção ao discurso político, no risco de partida, pois que estes, de cenoura na mão, vão prometendo o que farão se cortarem a meta em primeiro lugar e, porque vamos ser apanhados, há que saber traduzir estas suas medidas.
Lá muito para trás, nas férias-grandes, na minha primeira década, fui principezinho em quinta de padrinhos, Finges, no Douro profundo, em Sedielos, encostado a Vila Marim e a Mesão Frio. Em carro com chofer sentia-me um pequeno lord quando acompanhava a madrinha às Termas de Moledo, na Rede. Após brincadeira solitária mas de magia por entre as frescas sombras das centenárias tílias, a ordem era seguirmos para o Peso.
Mesmo moço interrogava-me porque raio dedicavam tanta atenção, não à Régua mas ao seu Peso. Hoje sei que por detrás do enigma estão os impostos que, por sua vez têm a ver com a igualdade e com as ditas medidas. Mas só o tolo se deixa enganar com a baixa de impostos pois a soma é algébrica, entre impostos e medidas sociais.
Noticia actual do mundo científico informou-nos da recente descoberta da mais densa e pequena estrela de neutrões.
Antes de votar pense bem nisto: um cubo de açúcar, doce e enganador, feito do material desta estrela de neutrões pesaria, na Terra, cem milhões de toneladas. Perante qualquer político há que avaliar muito bem os seus Pesos & Medidas…

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