“A questão foi saber se eu estava preparada”
Helena Barril foi a primeira mulher a assumir a presidênciad a Câmara de Miranda do Douro. Juntamente com Isabel Ferreira, são as duas únicas mulheres em exercício atualmente como presidentes de Câmara, de 12 concelhos no distrito.
Mensageiro de Bragança: Como foi assumir, pela primeira vez, uma mulher os destinos da autarquia? Sentiu alguma desconfiança por parte de colegas e funcionários pelo facto de ser mulher?
Helena Barril: A verdadeira questão nunca foi saber se os outros confiavam por eu ser mulher, mas sim se eu própria acreditava que estava preparada para assumir essa responsabilidade. E sempre acreditei. Nunca me senti inferiorizada por ser mulher, nem permiti que essa ideia condicionasse o meu percurso. Ao longo da minha vida pessoal e profissional lutei pelo meu espaço, pela minha voz e pela minha afirmação, e quando aceitei o desafio de me candidatar à Presidência da Câmara Municipal de Miranda do Douro, fi-lo com a mesma determinação.
Assumir a presidência, sendo a primeira mulher a ocupar o cargo no concelho, foi naturalmente um momento marcante. Não tanto por ser mulher, mas pela responsabilidade acrescida de abrir caminho. Senti, acima de tudo, orgulho e sentido de missão. Tive, e continuo a ter, ao meu lado uma equipa de confiança, pessoas que acreditaram em mim desde o primeiro momento e que nunca duvidaram da minha capacidade. Sempre tive uma palavra a dizer, sempre fui ouvida e respeitada, e isso é reflexo do trabalho que desenvolvemos em conjunto.
Relativamente à população, a resposta foi clara e inequívoca. Há 5 anos fui eleita com uma diferença de cerca de 700 votos, um resultado muito expressivo que demonstra que as pessoas votaram na pessoa, no projeto e na visão para o concelho, e não no género. Num território do interior como Miranda do Douro, que por vezes é injustamente rotulado como conservador ou menos aberto à mudança, esta escolha mostrou precisamente o contrário. As pessoas quiseram mudança, acreditaram numa nova energia e confiaram numa mulher para liderar o destino do município.
Mais do que uma conquista pessoal, encaro esta experiência como um sinal positivo para as gerações mais jovens. É importante que as meninas e mulheres do nosso concelho vejam que podem ambicionar qualquer cargo, qualquer responsabilidade, sem limitações impostas pelo género.
