Teatro

Vencedor do Prémio Pessoa com três peças em Bragança este ano

Publicado por AGR em Qui, 2020-02-13 10:05

O Teatro Municipal de Bragança é um dos quatro teatros municipais que integram a Rede Eunice Ageas, projeto de circulação nacional de espetáculos produzidos e coproduzidos pelo Teatro Nacional D. Maria II que, desde 2019, conta com o apoio do Grupo Ageas Portugal. A par do Centro Cultural do Cartaxo e Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre, o Teatro Municipal de Bragança integrou este projeto nesta temporada 2019-2020 e vai manter-se associado ao mesmo durante três anos, até 2022.

No âmbito da Rede Eunice Ageas, o Teatro Municipal de Bragança vai receber, em 2020, 3 espetáculos do Teatro Nacional D. Maria II, numa digressão que tem início já a 15 de fevereiro, com o espetáculo Um outro fim para a menina Júlia, uma criação de Tiago Rodrigues a partir do clássico de August Strindberg.

O Diretor do Teatro Nacional D. Maria II tem raízes no Nordeste Transmontano (é filho do jornalista moncorvense Rogério Rodrigues) e explicou ao Mensageiro este novo projeto.

“‘Um outro fim para a menina Júlia’ é, talvez, o mais teatral dos meus espetáculos recentes. Por um lado, parte da memória que temos do clássico. Agora, imaginemos que a menina Júlia, na peça do Strindberg, no final não se tivesse suicidado, em que é que as personagens que a acompanham naquela peça, o empregado e a cozinheiro, se teriam também transformado.

Havia o problema moral de a menina da casa ter um caso com o empregado e, ao mesmo tempo, se não tivesse sido uma tragédia fatal na altura, o que teria acontecido se eles tivessem fugido juntos.

O que propomos neste espetáculo é que eles teriam vivido aquilo que viveu a sociedade europeia no último século. Obviamente, com os problemas de classe, é possível que hoje, com mais facilidade do que no passado, pessoas com estatutos económicos diferentes acabarem juntas e até encontrarem uma espécie de normalidade nas suas vidas, sem que isso seja um fatalismo.

Queremos, através de uma história íntima, contar a história da evolução da sociedade. E acaba por ser o reencontro destas personagens que o Strindberg escreveu jovens, agora já na casa dos 60 anos, com a vida que conquistaram, a paz que conseguiram, tendo aberto um pequeno hotel à beira de uma estação de comboios onde servem vinho e presunto aos espectadores, como se fossem visitantes do seu hotel”, explicou ao Mensageiro, a partir da Croácia, onde acompanha a estreia de outra peça do TNDMII.

Quanto à peça que estreia no sábado, Tiago Rodrigues lembra que “estreou no início de 2019 no Teatro Nacional D. Maria II, em março, e agora faz itinerância pela rede Eunice”.

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