O que fazer?
1. Na segunda volta da eleição presidencial, estão em causa duas ideias e dois comportamentos opostos: de um lado, a defesa da democracia face ao extremismo; do outro, a dicotomia entre o socialismo e o não-socialismo (argumento enganador, destinado a confundir). No que respeita aos comportamentos, é fácil de distinguir: de um lado, a serenidade, a dignidade e o respeito pelos direitos humanos, ou seja, os direitos do Outro, do nosso vizinho, próximo ou afastado; de outro, a postura assente no confronto envenenado e frequentemente baseado em falsidades, à maneira de Trump.
2. «Há momentos na vida das pessoas ou dos países em que tudo de repente se simplifica com respostas claras entre um sim e um não» (Manuel Carvalho, Público, 22.01.26. É esta a situação presente que alguns altos dirigentes do grande partido que é o PSD (também da IL) parece terem esquecido.
3. Cada um de nós, cidadãos, acredita que urge acabar com sentimentos de ódio, olhar-se-á ao espelho, refletirá sobre:
- Afinal, o que pretendo nesta sociedade, onde tenho a liberdade de optar? Afinal, desejo ou não embarcar na manipulação que atinge a grosseria e o destempero?
- Afinal, devo afirmar a minha escolha fundamentada em valores fundacionais e civilizacionais que são a base do nosso País, enquanto Nação, que se tem construído com base em entendimentos, mesmo quando há divergentes opiniões?
- Afinal, a História de Portugal não atravessou momentos de fortes discordâncias para dar lugar ao encontro desejável entre os homens e mulheres deste País? Então, não foi o que aconteceu nos grandes momentos, como a crise de 1383-1385 (Guerra contra Castela); a Restauração da Independência (1640); a Regeneração (após a desavença entre D. Pedro e D. Miguel); as Invasões Napoleónicas (1808-1810); no 25 de Abril? Acabou sempre por perdurar o bem nacional, o futuro de todos.
4. Se alguns políticos ainda titubeiam e hesitam é algo que desaparecerá e tomarão a decisão final, consentânea com o humanismo que a social democracia e a democracia cristã em que, afinal, convergem sobretudo no domínio social.
5. Não se deve julgar que as pessoas votantes no homem que aposta na divisão e no ódio sejam ser xenófobas, racistas e inimigas da democracia. Não são na sua esmagadora maioria. Estes votantes já estão a perceber que os valores de Portugal se baseiam na tolerância, na crítica construtiva, no desafio democrático, nunca na confusão, no vilipêndio e no ódio.
6. O direito de escolher é igual para todos. Para optar, é necessário não ser manipulado através de conversas e ideias que destilam ódio. Para optar, é urgente ouvir atentamente o discurso democrático, fundamentado no combate sério, digno e transparente.
7. Do que se trata é de defender valores da democracia liberal que presidem às relações entre as mulheres e os homens do nosso País.
O que fazer, pois? É algo para cada um refletir. Pelo que deixo escrito, a minha opção está tomada, porque acredito no humanismo, na democracia e na dignidade: voto em António José Seguro.
