A opinião de ...

Estabilidade rima com responsabilidade

Em todas as eleições, há vencedores e vencidos. E há os que são incluídos num ou noutro grupo, não em resultado dos números, mas em função das expectativas criadas ou do olhar subjetivo dos analistas.
Vamos a factos: o PS foi o grande vencedor das eleições legislativas de 6 de outubro. Obteve mais votos e mais mandados (106, mais 20 que em 2015, faltando ainda distribuir os 4 dos círculos eleitorais da Europa e de fora da Europa) que o conjunto dos partidos da direita. Foi o único partido que elegeu deputados em todos os círculos eleitorais do território nacional. Ganhou com maioria absoluta em sete: Açores, Beja, Portalegre, Castelo Branco, Évora, Faro, Coimbra e Guarda. Só não ganhou em cinco: Bragança, Vila Real, Viseu, Leiria e Madeira.
A direita teve a maior derrota de sempre. O PSD perdeu 12 deputados e o CDS 13. Nos restantes partidos, houve um pouco de tudo. O BE manteve os 19 eleitos, não obstante ter perdido mais de 50 mil votos. A CDU perdeu cinco. O PAN passou de um para quatro eleitos. E há três novos partidos com representação parlamentar: o Livre, a Iniciativa Liberal e o Chega. De sublinhar que, pela primeira vez na história da nossa democracia, a extrema-direita portuguesa tem assento no hemiciclo de São Bento.
Com a eleição do maior número de sempre de deputadas (42 PS, 26 PSD, 9 BE, 5 CDU, 3 CDS, 3 PAN, 1 Livre), mais 14 que em 2015, acentua-se a feminização do parlamento, graças à nova Lei da Paridade, proposta pelo Governo Socialista e em vigor desde julho deste ano, que define “a representação mínima de 40% para cada um dos sexos”. A eleição de três deputadas afrodescendentes - Romualda Fernandes do PS, Beatriz Gomes Dias do BE e Joacine Katar Moreira do Livre – para além do seu valor simbólico, vai contribuir para enriquecer o debate sobre as variadas e persistentes discriminações sociais. Como escreveu uma amiga à minha colega de bancada, Romualda Fernandes, “a partir de agora nós, mulheres negras, cada vez que olharmos para a escadaria da Assembleia da República não nos iremos ver apenas com baldes e esfregonas para limpar: estamos lá dentro, temos voz e podemos sonhar”.
Os portugueses confiaram no PS para António Costa continuar a governar Portugal. A confiança pública é a base de um governo eficiente e duradouro. Mas não suficiente para garantir a estabilidade que os portugueses desejam e o país merece. Num cenário de imprevisibilidade política e económica a nível internacional, de que o Brexit, o fraco desempenho das economias alemã e italiana, os desentendimentos comerciais entre os Estados Unidos e a China, os conflitos em vários pontos do globo, as alterações climáticas e os desafios demográfico são exemplo, é quando Portugal mais precisa de estabilidade. Cabe a cada grupo parlamentar assumir a sua responsabilidade, colocando o interesse nacional acima de tudo e respeitando os resultados eleitorais.

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