A opinião de ...

Depressão Kristin - o drama de uma tragédia sem fim à vista

1- O RUIR DE UM SONHO
A cada dia que passa, desde que, na madrugada fatídica do dia vinte e sete do passado mês de janeiro, a depressão Kristin, com uma violência inimaginável e uma fúria destruidora nunca vistas, arrasou e reduziu a escombros todo o centro do país, com especial incidência, além de outros, nos distritos de Leiria, de Coimbra, Santarém e Castelo Branco, começa a ficar cada vez mais percetível a dimensão dantesca dos danos causados, que só, com o envolvimento de toda a comunidade será possível reparar.
Para as centenas de milhares de pessoas diretamente atingidas, em cujas memórias ficará gravado para sempre o terror vivido naquela madrugada tenebrosa de janeiro, durante a qual, sem que ninguém os pudesse ajudar, assistiram incrédulos e apavorados, à força devastadora dos ventos ciclónicos, que reduziram a escombros todos os trabalhos, privações, e sacrifícios que durante as suas vidas lhes alimentaram os sonhos e robusteceram a esperança de conseguir uma vida melhor para si e para os seus.
Pelo que já foi possível avaliar, o volume astronómico dos prejuízos causados, tanto às pessoas e aos seus bens pessoais, como às instalações do sector industrial, equipamentos, matérias primas e artigos prontos para esporta ou lançar no mercado nacional, bem como aos edifícios e instalações dos serviços público das autarquias ou do estado, como escolas, quartéis, hospitais, lares de idosos, creches, serviços dos e bens dos agentes da proteção civil, instalações desportivas, jardins, parques públicos de lazer, vias de comunicação com estradas, pontes, vias férreas, ou redes de distribuição de água, de eletricidade e de comunicações, e tantos, tantos outros, são duma dimensão nunca vista, cujos custos necessários para a sua reparação, para evitar despesas inúteis, terão de ser muito bem analisados, dentro duma ordem de escala que, em função do fim a que se destinem, avalie corretamente o interesse económico das tais reparações .
2 - O LODO E AS ESTRELAS
Neste contexto de dor e de sofrimento físico e psicológico inauditos, provocados por esta tragedia avassaladora, cuja capacidade de destruição, com maior ou menor intensidade, se fez sentir um pouco por todo o país, onde deixou atrás de si um rasto de destruição e de morte, arrasou os sonhos e os legítimos anseios por uma boa qualidade de vida e lançou na miséria tantos dos nossos irmãos, numa dimensão difícil de imaginar em Portugal, que só tem paralelo no terramoto de Lisboa.
Na fase complexa da reparação dos danos, há linhas vermelhas que não podem ser pisadas e princípios sagrados que, em toda a fase da reconstrução que vai começar, têm de ser respeitados por todos os intervenientes, sejam eles serviços do estado, das autarquias, das entidades da sociedade civil, empresas nacionais ou estrangeiras, entidades públicas ou privadas, para evitar toda e qualquer tentativa abusiva de aproveitamento, em proveito sabe-se lá bem de quem, imoral e criminoso das necessidades e da fragilidade emocional das vítimas.
(Continua no próximo númer

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