A opinião de ...

As notícias da morte deste vírus são manifestamente exageradas...

Os primeiros dias de confinamento obrigatório foram difíceis de suportar para muitos. A primavera trouxe os primeiros sinais de algum calor, as flores despertaram, as ervinhas esverdeceram e o povo não aguentou. Após quase duas semanas, o passado fim de semana trouxe gente para as ruas. Muita gente. Se as cidades pareciam vazias, os caminhos periféricos pareciam os das romarias de verão ou os caminhos de Santiago, tal a quantidade de pessoas e grupos que se cruzavam.
Alguns desses caminhos devem ter sido palmilhados por mais pés este fim de semana do que nos dez ou 20 anos anteriores.
E se os números apresentados pela Direção Geral de Saúde - que continuam a ser questionados e questionáveis - mostram algum otimismo na contenção do contágio, convém ter uma coisa em mente: As notícias da morte deste vírus são manifestamente exageradas e qualquer otimismo desmedido pode descambar no prazo de duas semanas num arrependimento atroz.
Os tempos são de novidade para todos. Estamos todos a aprender a lidar com uma situação que não esperávamos e que se nos apresentou pela esquerda e sem fazer pisca.
Para mais cedo nos libertarmos destas amarras mais assertivos temos de ser no cumprimento das ordens de confinamento das autoridades.
Por outro lado, esta travagem brusca e a fundo na economia vai ter consequências brutais no nosso dia a dia nos próximos anos.
Muitos negócios se estão a ressentir, dos mais pequenos e familiares aos maiores e mais dinâmicos.
A crise, económica, que vai chegar, vai, como o vírus, chegar para todos. E temos de ser todos, como um, a lutar para sair dela.

É, também, em tempos de crise que o papel dos jornais ganha contornos de azeite, vem sempre ao de cima.
Numa semana, os acessos ao site do Mensageiro de Bragança mais do que sextuplicaram, numa prova de confiança dos leitores, que escolhem a marca do jornal diocesano para se informarem.
Da nossa parte, agradecemos a confiança, mesmo se as condições não são fáceis.
Apesar das mordaças que a DGS tenta impor, temos lutado para manter os habitantes do distrito de Bragança o mais informados possível pois só um cidadão bem informado pode tomar boas decisões.
No entanto, e apesar dos pedidos insistentes e da incompreensão de muitos, optamos por não divulgar informações pessoais ou que possam revelar a identidade dos pacientes. Um compromisso que mantemos, pois no jornalismo, como na vida, não vale tudo.
Também sabemos que muitos jornais atravessam já dificuldades para se manter à tona, com a interrupção no fluxo publicitário. A Associação de Imprensa de Inspiração Cristã, de que o Mensageiro faz parte, já disponibilizou os seus meios às autoridades de saúde para a divulgação das informações tidas como de interesse público. Mas também alertou o Governo e as autarquias que não adianta querer uma voz que fale por eles se essa voz se extinguir sem ninguém fazer nada. Grandes crises exigem grandes medidas.

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3775