A opinião de ...

Erro Crasso!

António José Seguro, falhadas as “negociações” com os partidos da maioria, regressou à estrada na sua interrompida campanha autárquica. Que na prática mais não é que a campanha de oposição ao governo garantindo que governar não é um jogo de cadeiras mas indicando a seguir que deveria ser antes um jogo de palavras. Como se o mais importante para Portugal e os portugueses em vez de uma inflexão nas políticas de austeridade fosse o significado que a palavra irrevogável possa ter. Mas, pior que isso é a afirmação (em que foi secundado por António Costa) que nas eleições autárquicas os portugueses vão condenar as políticas nacionais do atual governo. Entende-se que as preocupações do líder do PS sobre a oposição à maioria que suporta o Governo de Portugal se sobreponha às políticas reais que os diferentes candidatos locais devem apresentar aos seus eleitores. Não é estranho que António Costa previligie o governo central, mesmo sendo candidato a Lisboa. Não posso deixar de recordar que, em Moncorvo, em 1994, numa visita que os deputados do PS fizeram ao distrito, me confidenciava que a sua candidatura a Loures (onde protagonizou uma mediática corrida entre um burro e um ferrari) não resistira ao efeito Cavaco que na altura comandava o país a partir de S. Bento. Para além das possíveis legítimas ambições do dirigente sociaista, convém não esquecer que o autarca de Lisboa sempre foi eleito com o governo nacional dirigido por um colega seu.
Entendo, mais o primeiro que o segundo, mas não concordo.
Fazer depender o sucesso de umas eleições locais das ações de um governo central é dizer aos eleitores que os cadidatos às autarquias não têm peso próprio. Não têm programa, não têm capacidade de atração, não têm motivos adicionais que cativem as populações a quem pedem os votos necessários. Dizer que eleger candidatos do PSD é “trazer a política governamental para as autarquias” é passar um atestado de minoridade aos cadidatos socialistas. É dizer-lhes que a principal razão pela qual devem votar no Manuel em deterimento do Jaquim tem a ver só pela bandeira que flutua nas suas costas, que a única razão de preferência passa pelo símbolo à frente do qual pedem uma cruz que os amarre para os próximos quatro anos! É ainda dizer que, no seu entender, os eleitores são estúpidos ou pelo menos, incapazes de diferenciarem o local do nacional. Mas também uma confissão de ignorância pois o povo português já demonstrou claramente que os sabe distinguir muito bem. Obviamente que a razao não é essa. Para os protagonistas, apesar da campanha local em curso, o mais importante é a política nacional. Por isso, discordando, entende-se.
O que não se entende é que alguns candidatos, na expetativa e ambição de quererem chegar à cadeira de Presidente da Câmara sem cuidar de dar verdadeiros argumentos pessoais e locais, adoptem para si esta mesma estratégia!
Será um erro crasso que irão pagar muito caro!
 

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