A opinião de ...

LA TRAPPOLA (O Retorno Positivo)

A estabilidade dos sistemas complexos e dependentes de algumas variáveis baseia-se num princípio de controlo, geralmente automático, gerado pelo que se designa o Retorno Negativo e que se traduz, de forma simples, no seguinte mecanismo: sempre que um sistema estável é sujeito a uma perturbação, acontece uma reação, que contraria parcialmente o primeiro efeito fazendo com que, o resultado vá diminuindo progressivamente, ficando anulado após um determinado tempo, mais ou menos longo, de acordo com as respetivas características. Contudo se num sistema houver, em vez disso, um retorno positivo, por bem pequeno que seja, o efeito perturbador começa a ser reforçado aumentando, sem controlo, a interferência inicial. Para se reverter esta situação é necessário que, antes da autodestruição iminente, seja aplicada uma ação contrariadora de amplitude considerável!
Razão pela qual um pelotão nunca atravessa uma ponte a marchar pois a simples possibilidade de haver um estímulo com o efeito indesejado representa um risco sério de fazer colapsar a respetiva estrutura.

Quase todos os sistemas naturais têm mecanismos de retorno negativo que lhes permite manterem-se e, com maior ou menor dificuldade, resistirem às agressões que sofrem, desde que estas não tenham amplitudes destruidoras nos primeiros impactos. O problema acontece quando algumas agressões ambientais despertam fenómenos de retorno positivo. Porque aí entra-se num caminho de autodestruição. É o que acontece, infeliz e dramaticamente, com o degelo dos polos. A subida de temperatura que provoca o derretimento dos glaciares e de grandes zonas das calotes polares vai contribuir para que, sem mais nada, sem qualquer outra ação, só por este facto, a temperatura suba. Subindo vai contribuir para o degelo, reforçando o estímulo inicial. A reversão deste fenómeno que acelera, naturalmente, em amplitude e velocidade, vai obrigar a um esforço monumental com custos consideráveis.
Incidente com iguais características passa-se na Amazónia onde os gigantescos incêndios, não só provocam uma destruição terrível como, concorrentemente, favorecem as condições naturais para a sua ocorrência, para o seu agravamento e para a sua já desmesurada amplitude!

Também em política há ocasiões e circunstâncias que se apresentam com características de retorno positivo capazes de desenvolver perturbações de auto-reforço. Farejando a possibilidade de crescimento considerável, acima da atual representação parlamentar, o político italiano Matteo Salvini, apesar do seu assento no Conselho de Ministros resolveu patrocinar uma moção de censura. A resposta do Governo e do partido 5 Estrelas, arrisca-se a provocar um aumento das condições provocatórias que originaram a crise transalpina. Se houver eleições, um resultado histórico para a Liga Norte é, infelizmente, uma possibilidade muito concreta e real. Mas se for formado um novo governo com uma coligação em que o PD do outro Matteo, o Renzi, substitui a Liga, a vitimização do líder desta, provavelmente lhe virá a render ganhos eleitorais na próxima ida às urnas. Como canta Ney Matogrosso “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.

Num tempo de sistemas cada vez mais instáveis é necessário fortalecer e usar com determinação todos os estímulos capazes de anular não só os episódios de perturbação mas, para além disso, garantir a alteração estrutural dos respetivos mecanismos. Em eletrónica há soluções estudadas e conhecidas para resolver estes problemas. Seguramente que os especialistas terão propostas igualmente eficazes nestas outras circunstâncias. Haja vontade, determinação e união!

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