A opinião de ...

O Ferro e a Ferrugem!

No rescaldo do Governo de Proximidade que veio realizar o Conselho de Ministros a Bragança, toda a imprensa regional deu devido eco à desconsideração de que foram alvo as gentes de Vimioso pela inaceitável atitude de António Costa cancelando a sua ida a Vimioso, depois de se ter comprometido a acompanhar a Ministra e a Secretária de Estado. INACEITÁVEL! A honesta e pacífica gente nordestina não é merecedora de tal desfeita, de tal falta de consideração. Obviamente que junto a minha voz à dos diretores dos jornais regionais no eco que fizeram do protesto veemente do Presidente Jorge Fidalgo, que manifestou publicamente o enorme desconforto a título pessoal e, claro, em nome de todos os eleitores que representa. Senhor Primeiro Ministro, a desfeita que fez à honrada gente de Vimioso é intolerável para todos os nordestinos que sendo boa gente, como tal se sente!
Mas, no meu caso e de muitos outros, habitantes ou naturais do sul do distrito, a ofensa é maior por mais de duplamente grave. A visita a Moncorvo não foi suprimida por qualquer membro do Governo porque nenhuma foi tão pouco agendada. Tal desprezo é uma ignomínia! Estou certo que não há nenhum moncorvense que não sinta a revolta de tal discriminação. Independentemente do alinhamento político ou ideológico com o atual Presidente da Câmara não posso, não podemos, nenhum de nós, deixar de estar ao lado dele no protesto por tão grave desconsideração.
Os atos políticos, desta dimensão, não são inocentes nem desprovidos de causas. Deverá o executivo municipal refletir sobre as causas próprias na origem de tal afronta. Deverá corrigir o que estiver desadequado, mas, mesmo assim, não se pode dar como justificado tão gritante ausência.
E, por isso mesmo, com a mesma veemência com que me associei ao protesto, igualmente me distancio da “resolução” já, apressadamente, anunciada pelo Presidente da Câmara, tomando como suficiente e justificado o agravo com a presença do líder governamental, na sede do concelho, no próximo dia 13 no anúncio da exploração mineira. Não!
Não só esta visita tardia não apaga o desrespeito como pelo contrário o evidencia e acentua. Só demonstra que o tão propalado investimento não se enquadra no objetivo do desenvolvimento do interior que o Conselho de Ministros quis inaugurar.
É bom não esquecer que, por essa Europa fora, as zonas mineiras já tiveram o seu auge, já foram motores de desenvolvimento, sendo muitas delas atualmente, regiões deprimidas e as que estão a recuperar dinamismo fazem-no com atividades totalmente distintas da poluente e agressiva atividade de mineração.
Será que o inesperado interesse de investidores estrangeiros nos depósitos férreos de Moncorvo está mesmo baseado no interesse de desenvolvimento da região e aproveitamento dos recursos locais ou, pelo contrário existe hoje porque esta atividade começa a ser cada vez mais indesejada por esse mundo fora?
Não podemos deixar de refletir sobre o verdadeiro interesse desta exploração a céu aberto de uma jazida, abandonada em tempos por causa da baixa rentabilidade (que nada indica ter sido substancialmente melhorada) seja agora retomada com tão elevado interesse, numa altura em que a própria indústria metalo-mecânica

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