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Obras na Igreja [18] “Arte Sacra” e “imagens sagradas”

A “arte sacra” é um termo genérico que engloba a arquitetura, a pintura, a escultura, as artes gráficas, o artesanato, a música sacra, esta última com a sua própria diretiva canónica, que submetidas à arbitragem da Igreja, estão ao serviço sobretudo da função de santificar e ensinar da Igreja, com o encargo de mover os homens a adorar a Deus.
Já as “imagens sagradas”, obras de arte [pintura, escultura, etc.] reproduzem protótipos sacros, pessoas e, ocasionalmente cenas da História Sagrada, criadas pelo artista para inspirar devoção, instruir os fiéis e, sobretudo para promover a veneração dos orantes, nas igrejas, capelas, ou oratórios.
Se hoje na igreja, casas, e caminhos, se expõem à veneração as imagens sacras, de Jesus, da Mãe de Deus, dos Anjos e, dos Santos, isto deve-se às disposições e definições da sétima sessão do II Concílio de Niceia [13.X.787]. São Basílio de Cesareia dizia que a honra da imagem se dirige ao original e, na 10.ª sessão do IV Concílio de Constantinopla [28.II.870, c. 3] diz-se que quem adora uma imagem, adora a pessoa nela representada.
Mais tarde o decreto “da invocação, veneração e relíquias dos Santos, e sobre as sagradas imagens”, da 25.ª sessão, do Concílio de Trento [3.XII.1563], utiliza a definição do II Concílio de Niceia e torna-se um instrumento combativo da Contra Reforma Católica, contra os Protestantes pela ausência de imagens cultuais. Tentava-se também remediar determinados exageros Católicos, relativamente ao culto das imagens. Trento afirma: “tenha-se e conserve-se nomeadamente nos templos, as imagens de Cristo, da Virgem Mãe de Deus e dos Santos e tribute-se-lhe a devida honra e veneração, não porque se creia que neles há alguma divindade e virtude, pela que tenha de prestar-se-lhe culto, ou que se tenha de pedir algo a elas, ou que tenha de pôr-se confiança nas imagens, como faziam os gentios antigamente, que colocavam a sua esperança nos ídolos [Sal. 135, 15-17]; senão porque a honra que se lhes tributa, se refere aos originais que elas representam; de maneira que por meio das imagens que beijamos e, ante as quais descobrimos as nossas cabeças e, nos prostramos, adoramos a Cristo e veneramos os santos, cuja semelhança aquelas ostentam […]. Trento estabelece ainda que a ninguém seja lícito pôr, nem procurar que se ponha nenhuma imagem desusada e nova em lugar nenhum, […] se não tiver a aprovação do Bispo.
Por fim o Catecismo da Igreja Católica afirma que o culto das “imagens sagradas” funda-se no mistério da encarnação do Verbo de Deus e, não é contrário ao primeiro mandamento que chama o homem a crer em Deus, a esperar n'Ele e a amá-Lo sobre todas as coisas.

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