A opinião de ...

Advir…

O atrevimento leva-nos, algumas vezes, a deixar correr a mente nos trilhos do livre pensamento. Colocando de lado os defeitos de produção, fácil conceber que, à nascença, teremos todos um cérebro semelhante mais que preparado para receber a informação que aí vem. Ciente de que todos trazemos um estandardizado chip de sobrevivência, será a forma como armazenamos os estímulos do conhecimento que nos vão distinguir, individualizando o eu de cada um, feito de corpo, mente e alma.
Lá muito para trás, sem os medos do ridículo, imaginava máquina de sublime relojoaria, dentro do crânio que me encabeçava. Hoje, a anos luz do ontem de setenta anos, troquei o relógio por um computador ao qual será possível, pela leitura das últimas noticias científicas, ligar o cérebro a uma base de dados e transferir o conhecimento desejado.
Os mares, o que para lá dos mares existia, o abrir do nosso pequenino mundo a outros mundos, há uns ridículos quinhentos anos, os portugueses ajudaram a desbravar, interligando em definitivo todos os credos e civilizações, independente da tez e do fácios.
O outro mar azul, o que do alto nos espreita e amedronta, porque o esgotamento do planeta assim o determina, levam-nos a escutar os ventos invertidos que dali sugam: a centrifugar, aspirar, puxar, de irresistível atração.
Sente-se no ar o afinar de outras velas, os nossos foguetões são barcos de asas que já por ali navegam, escolhem-se novas Pontas de Sagres e, nos mais que atualizados Centros de Investigação procuram-se os melhores, no arrojo e audácia, selecionam-se agora os que apontam o futuro como meta, os atuais Infantes D. Henrique.
O Holograma, miragem provocada e extasiante, mistura mágica entre luz e raios laser, entre dimensões bi/tri, preludio do teletransporte, em autoestrada 5G, informa-nos da iminência: a humanidade, de atalaia, prepara-se para a grande aventura, algures no espaço profundo haverá novo afago, novo ventre.
Porque o Sol/estrela, no fim do ciclo, explodirá, a vida na terra é finita, esta é a lei do universo. A furiosa revolta dos quatro elementos, água, fogo, terra e ar, levam a horrendas cólicas da mãe natureza e o veredito de ilustres sábios, reunidos em longas, espaçadas e inúteis conferências dos G, avisam-nos do cronómetro em marcha. Dois astros do nosso sistema solar serão peças do assalto ao Universo, dos novos Descobrimentos e, numa primeira fase, a Lua será trampolim para Marte.
Dizem os entendidos que o Humano, para atingir o coração da Via Látea, onde poderá encontrar novo útero, necessita de transporte que atinja a velocidade ficcionada dos discos-voadores e matéria resistente a essa velocidade. O Espaço Sideral espera-nos, se cedo ou tarde, depende do Homem. Por já ter nascido estou com imensas saudades do Advir…

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3745