A opinião de ...

Ordem na mesa

E eis que nos confins da China, germinando dum cocktail da natureza, emerge monstro devorador que, usando os jovens, filhos e netos, os arremessa para fazer sucumbir os pais e avós, segunda e terceira geração contra os idosos que os geraram. Este vírus, malévolo e inteligente, sem que seus soldados se apercebam, os jovens, carrega-os de balas mortíferas, espalha-os socialmente com um único fito, atingir os mais fracos, os vulneráveis.
O grito de alerta, as trompetas, ecoaram em finais de Dezembro do ano transato, ficou a conhecer-se a virulência inteligente, jovens contra velhos, de ferocidade pandémica, e o mundo, atónito, foi alertado para as únicas armas imediatas disponíveis no combate a tamanha catástrofe: porque as portas de entrada são boca, nariz e olhos, a constante desinfeção das mãos, a proteção a sete chaves da face, e o distanciamento social, mais que apertado, dos imunodeprimidos, idosos e todos os que com comorbidades. Os pulmões seriam o órgão a colapsar.
Rebobino a mente lá no cantinho da memória, aos tempos em que Correia de Campos ligava a propagação das super bactérias em ambiente hospitalar à falta de higiene, lavagem de mãos, dos profissionais de saúde. Escuso-me a apontar muitos dos nomes, na altura ferozes detratores, e agora a falar de cátedra, com o ar de eminências pardas de quem ajuizou sempre esse rumo, de quem dos bancos da escola isso aprendeu e interiorizou.
Vou assistindo, atónito, angustiado, revoltado mas mais que informado, à exposição diária dos que dão a cara aos esforços governamentais, Diretora Geral e Ministra da Saúde. A ira nas perguntas, sempre as mesmas até à exaustão, doentiamente à constante procura de falhas, nas contas, nos meios, na palavra de duplo sentido, da previsão, da opinião, nunca no levantar do ânimo, insensíveis aos rostos esgotados de quem se encontra ao leme desta máquina que opera em terrenos movediços, desconhecidos, ambiente de um nado/morto invisível que nos faz tremer a todos.
Assisti e assisto, em direto, a um mundo globalizado com as calças na mão, em que depois de dois meses após a anunciação do apocalipse todas as nações, incrível mesmo, encontravam-se na linha do horizonte, prontos para a guerra, despidas de qualquer arma de defesa contra semelhante fera, que nos espreita, invisível.
Só agora, após dois meses de paralisia, se lembraram das armas, máscaras, luvas, desinfetantes e ventiladores, todas as nações por inteiro, numa corrida desnorteada e vil rumo ao único fornecedor mundial, a China.
Daqui, no confinamento, cumprindo as ordens do Governo do meu País, vejo a triste figura de quem tenta passar por entre os pingos da chuva: em cada Concelho existem Poder Local e representante da Saúde e estes, desde Dezembro último, não travaram a potencial infestação dos mais vulneráveis, dos idosos em lares.
Errar é humano, fazer ruído, agora, lamentável. De grande visão política, sem ondas, o governo empossou, com os poderes da emergência, um representante em cada Zona, de norte a Sul, para dar um murro, olocar Ordem na mesa…

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