Nordeste Transmontano

IPB já deu início à formação de formadores ‘silver’ que vão procurar 500 cuidadores em aldeias

Publicado por António G. Rodrigues em Qui, 04/03/2025 - 09:32

Ajudar a criar emprego nas aldeias ao mesmo tempo que se cuida dos mais velhos. Estes são dois objetivos de um projeto internacional que envolve o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) e a Diputación de Zamora (Espanha).

A primeira fase, que visa dar formação a 40 formadores, arrancou na segunda-feira, na Escola Superior de Saúde.

“O objetivo deste seminário internacional de capacitação de formadores ‘silver’ insere-se num projeto que o IPB tem com a Diputación de Zamora que visa capacitar, numa primeira fase, até 2026, 40 formadores ‘silver’ e 500 cuidadores ‘silver’. Hoje demos início ao processo de capacitação dos formadores. Depois vamos passar à fase dos cuidadores”, explicou ao Mensageiro Ana Galvão, psicóloga, docente e investigadora.

Considera-se um cidadão ‘silver’ [prateado, em inglês] aquele que tenha mais de 50 anos.

Este projeto tem inscrita uma verba de 80 mil euros.

“O IPB integra o projeto como Academia de Competências Gerontológicas, tanto para cuidadores como para formadores. Estes formadores vão ajudar-nos a formar os outros 500”, que serão selecionados nas aldeias de Vilariça [Alfândega da Fé], Quintanilha [Bragança], Cerejais [Alfândega da Fé], Babe [Bragança], Salsas [Bragança] e Vilarinho da Castanheira [Carrazeda de Ansiães].

“Vamos às aldeias porque o fator diferenciador deste projeto é o facto de querermos os idosos a envelhecer nas suas casas. Estamos a chamar idosas a pessoas com mais de 60 anos.  O que queremos é ter idosos com saúde, não idosos com muitos anos”, sublinhou Ana Galvão.

Objetivo é criar emprego

Os 500 cuidadores serão selecionados até ao final de julho, para iniciarem a sua formação a partir de setembro.

“Há muita gente a falar do envelhecimento mas, sobretudo, gente jovem, que nunca foi cuidador, nem formal nem informal, de idosos. Todos nós já cuidámos de dois ou três idosos nos nossos domicílios”, aponta.

A mesma responsável sublinha que “o principal objetivo [deste projeto] é promover o emprego. Os cuidadores serão remunerados. Neste momento só temos candidaturas abertas para se candidatarem como formadores e cuidadores”, explicou.

A equipa do IPB tem cinco elementos, entre psicólogos, gerontólogos, especialista em saúde pública e especialista de reabilitação.
A equipa irá reunir com as juntas de freguesia para solicitar um espaço para falar com a população e divulgar a ação.

“Queremos levar tecnologia para os idosos nos reportarem os problemas de imediato. Queremos dotar os domicílios das pessoas com inteligência artificial”, frisa Ana Galvão.

A psicóloga e investigadora esclarece que combater a solidão e o isolamento são os dois grandes pilares deste projeto.

 “Um dos principais problemas, muitas vezes, passa pela infantilização do idoso. “Não devemos infantilizar o idoso. O treino cognitivo é através de uma maior sociabilização. O cuidador ‘silver’ leva momentos pessoais ao domicílio das pessoas o que se pretende é que o idoso esteja sozinho o menor tempo possível”, refere.

Esta primeira ação internacional de formação contou com vários oradores, incluindo três médicas ortopedistas da ULS Nordeste, Bárbara Ferreira, Rita lavado e Sara Sabim. “Tivemos cá médicas ortopedistas da ULS que chamaram a atenção para a falta de informação sobre as fraturas do colo do fémur, sabendo nós que há maior percentagem de quedas do que cancro da mama, por exemplo. A população não está sensibilizada para isto. Temos pessoas de 60 anos carregadas de osteoporose”, sublinhou Ana Galvão.

As ofertas ficarão disponíveis na plataforma Silverjobs, cofinanciada pela União Europeia.

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