Bragança

Médicos denunciam falta de condições no hospital de Bragança para tratar pacientes com covid-19 e temem que hospital se torne foco de contágio

Publicado por António G. Rodrigues em Dom, 2020-03-29 16:25

Um grupo de médicos do hospital de Bragança alertou o Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Nordeste para aquilo que consideram ser falta de condições para o tratamento de doentes com covid-19, a doença resultante do novo coronavírus.

Num documento datado de quinta-feira, dirigido também à direção clínica e à direção de enfermagem e a que o Mensageiro teve acesso, estes médicos alertam para os problemas existentes no local definido para acolher e tratar os pacientes infetados, instalado no chamado “edifício satélite”, onde habitualmente funciona a o serviço de Medicina e junto ao de hemodiálise.

“Prevendo que esta seria a área de maior concentração de casos e, como tal, de mais elevada carga vírica e consequente risco de contágio do local”, onde “não foram definidas nem delimitadas áreas contaminadas entre doentes, profissionais e não doentes".

Acrescentando que não foram também estabelecidos "entradas independentes para as mesmas e que não foi assegurado equipamento de proteção individual adequado e suficiente para médicos, enfermeiros e auxiliares". Nestas circunstâncias, dizem, deveria ter sido dada prioridade "à segurança de todos mas, passadas mais de duas semanas, nada aconteceu", alertam.

Ao que o Mensageiro apurou, nos últimos dias não houve alterações a esta situação.

No mesmo documento lê-se ainda que “os quartos não têm ventilação nem extração de ar que permita, em segurança, ventilação não invasiva, oxigénio de alto fluxo, e muito menos abordagem de via aérea (intubação dos doentes)”.

Os clínicos alertam que “a equipa de Medicina Intensiva e as oito camas de intensivos que destinaram a estes [23] doentes” não vão “ser suficientes”.
Este grupo de médicos teme mesmo nada poder fazer “para evitar um contágio geral”.

"Face às circunstâncias existentes atualmente, geradas pela ausência de equipamentos e condições de segurança, os doentes vão morrer por falta de assistência, sem que nada se possa fazer, nem sequer evitar um contágio geral", lê-se no documento.

Ao Mensageiro, fonte do Conselho de Administração remeteu esclarecimentos para um comunicado que será divulgado esta segunda-feira de manhã.

Até sexta-feira já eram pelo menos cinco os profissionais de saúde daquele serviço com testes positivos.

Recorde-se que este sábado foram vários os elementos do serviço de hemodiálise a testar positivo a covid-19, incluindo um utente de um lar da região. Esta é uma situação que tem estado a preocupar outros responsáveis de saúde pública do distrito.

As 23 camas do edifício satélite destinadas, numa primeira fase, aos doentes com covid-19 (e denominado de covidário) distribuem-se por cinco quartos individuais, três enfermarias com quatro camas cada e uma outra com seis. Nenhuma tem pressão negativa.

Para o início da semana prevê-se a entrada em funcionamento de mais 20 camas instaladas num hospital de campanha montado pela autarquia de Bragança no parque de estacionamento junto às urgências do hospital local.